COSMÉTICOS CLÁSSICOS

Não é de hoje que tanto mulheres quanto homens utilizam-se de artimanhas para dar um toque diferente em sua aparência. Desde a antigüidade, os perfumes e cosméticos auxiliam ambos os sexos na arte de seduzir e de agradar. Nessa seção, iremos falar sobre alguns produtos clássicos que fizeram sucesso entre jovens de várias décadas.
 
Tratamento - anos 70
 
Leite de Aveia Davene
Fabricante: Davene   
  

Nascido como primeiro produto da empresa de cosméticos Davene, em 1978, a loção logo conquistou os consumidores com a promessa de prolongamento da juventude. Talvez por isso tenha como a mais conhecida representante a atriz Tônia Carrero. Ao longo dos anos, a marca deu origem ao sabonete e creme facial da marca. Revitalizado em 2006, o produto ganhou nova fórmula, mais hidratante, e novas embalagens com três versões, clássico, intenso e suave. 

 
 
Tratamento - anos 30
 
Acqua Fresca
Cremes Pond’s
Fabricante: Pond’s / Lever

Theron Pond, um farmacêutico de Nova York, criou em 1846 uma base de hamamélis e álcool. Era o “extrato Pond’s”, que daria origem, mais tarde, aos cremes faciais Pond’s, um dos mais antigos e famosos do mundo. Em 1873, suas invenções chegariam à Europa. Mas só em 1907, a Pond’s inventaria uma fórmula de creme estável, que não precisava de refrigeração, nascendo a categoria de cremes faciais no mercado mundial. Com isso, esse tipo de produto passou a ser vendido em escala, a preços acessíveis. Foi nos anos 20 que a Pond’s começou a consolidar-se e os produtos foram comercializados também para a América Latina, fazendo sucesso desde então no Brasil, cujo auge aconteceu nos anos 60 e 70. A partir dos anos 80, foram desenvolvidas novas versões dos cremes faciais, voltadas para os vários tipos de pele – seca, oleosa, normal, mista e ainda creme de limpeza (creme C), creme nutritivo e tantos outros. O que os diferenciava era a cor da tampa. Em 1992, foi fundado o Pond’s Institute, iniciando uma nova fase dos cremes, que ficaram mais modernos, porém, com embalagem semelhante àquelas que consagraram os produtos.
 
Pomada Minancora
Fabricante: Minancora & Cia

Reunindo várias funções, a pomada Minancora (registrada sem o acento no primeiro a) é usada contra os odores da transpiração e também para secar cravos e espinhas, acalmar frieira e outras afecções da pele. Isso porque a fórmula criada em 1915, pelo português Eduardo Augusto Gonçalves, é composta por um agente secativo (óxido de zinco), um anti-séptico (cloreto de benzalcônio), um analgésico (cânfora) e um emoliente (óleo mineral). O creme forma uma espécie de película protetora, absorvendo a água e provocando constrição na pele, o que reduz a inflamação e protege a pele dos agentes externos e do ressecamento. Gonçalves estabeleceu-se em Santa Catarina e, graças às suas pesquisas, chegou a essa formulação, cujo nome é uma homenagem à deusa grega da sabedoria (Minerva), acrescida da palavra âncora, que designava sua permanência em solo brasileiro. Inicialmente, a pomada era comercializada apenas na Pharmacia Minancora, de Joinville (SC). Somente em 1934, ele fundou a Minancora & Cia e distribuiu o produto em nível nacional. A farmácia permanece com os móveis originais de época por quatro gerações na mesma cidade. A embalagem plástica conserva a mesma cor alaranjada da caixinha original de lata e papelão.

 
Leite de Rosas
Fabricante: LR

O Leite de Rosas foi concebido em 1929, pela empresa sergipana LR, como uma loção embelezadora para a pele feminina. Seu frasco original de vidro lembrava o corpo feminino, de cintura fina. Já nasceu multiuso, qualidade que já proclamava em seus “reclames” e agregou também a preferência masculina. Para a época, era um produto inovador, que servia para limpar e tonificar a pele, tratar espinhas, cravos e sardas e até como desodorante e loção pós-barba.  A fábrica garante que, mesmo após tantos anos da fabricação, o suave perfume de rosas e a composição da fórmula continuam idênticos. Com o tempo, ganhou também extensão de linha, com desodorante, sabonete e lenços umedecidos. Veja abaixo a evolução das embalagens do produto.

Veja abaixo a evolução da embalagem do Leite de Rosas

1929

1950

1966

1967

1970

1974

1976

1985
 
Tratamento - anos 20
 
Chanel nº 5
Loção Brilhante
Fabricante:
Laboratório Alvim e Freitas / Laboratório Aclimação

As tinturas e tonalizantes como conhecemos não existiam nos anos 20.  Então, uma das opções era a Loção Brilhante, que restituía gradualmente a cor dos cabelos que estavam ficando brancos, prometendo também evitar a caspa e a queda dos cabelos. Por isso, era muito procurada pelos senhores para escurecer o bigode “a la Carlitos”. Conheça um dos seus jingles famosos do rádio. O produto é comercializado ainda e pertence ao mesmo laboratório que fabrica ainda hoje o Creme Rugol.
Chanel nº 5
Creme de Alface Brilhante
Fabricante: Laboratório Alvim e Freitas / Laboratório Aclimação

Da mesma empresa que fabrica até hoje o creme Rugol, o Creme de Alface foi desenvolvido desde o início dos anos 20 para pessoas com pele seca ou partes ressecadas do corpo. No início do século passado, as mulheres ouviam no rádio comerciais que diziam: “Para o seu encanto de mulher fascinante, Creme de Alface Brilhante”, que a estimulavam a consumidor o produto. Mas só a alface não daria conta do recado, sendo a fórmula composta por mel de abelhas e vitamina E.
Chanel nº 5
Creme Rugol
Fabricante: Laboratório Alvim e Freitas / Laboratório Aclimação

Registrado em 1921 por Joviano Alvim, do Laboratório Alvim e Freitas, o creme Rugol teve seus momentos de glória entre os anos 30 e 50, junto às mulheres que queriam manter a pele clara para não ser confundidas com trabalhadoras da lavoura de café. Um dos jingles de Rugol que ficaram famosos no rádio estavam um que dizia: “As rosas desabrocham com a luz do sol e a beleza das mulheres, com o Creme Rugol”. O Laboratório Aclimação assumiu o produto em 1934 e, aos poucos, foram tentando atualiza-lo frente à competição com produtos mais tecnológicos. Entre as modificações estabelecidas, foi introduzido filtro solar 30 na fórmula.

 
Tratamento - anos 1900
 
Polvilho Antisséptico Granado

No Brasil Imperial, a população carioca estava acostumada a consumir produtos importados quando os portugueses José Antônio e João Antônio Coxito Granado, fundaram a Casa Granado e começaram a criar remédios e produtos de toilette, em 1880. Tudo com o aval do imperador Pedro II. Com a República, a casa não perdeu prestígio, recebendo personalidades como Rui Barbosa, José do Patrocínio, Francisco Pereira Passos e Oswaldo Cruz, entre muitos outros. A fórmula do Polvilho Antisséptico foi criada em 1903, por João Bernardo, irmão dos portugueses, e teve fabricação licenciada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz, que era chefe da Inspetoria Geral de Saúde. A embalagem original era praticamente idêntica à atual, com uma embalagem dourada, enfeitada com ornamentos art nouveau, tendo o símbolo de uma estrela de seis pontas dentro de um círculo, circundado pela palavra Granado. Tudo isso impresso numa lata metálica, comprida e fina. Com a Segunda Guerra, o formato foi conservado, mas a lata foi trocada pelo papelão, permanecendo apenas o metal da tampinha. O Polvilho Antisséptico não só continua sendo fabricado como também foram criadas novas versões refrescantes e esportivas, além do sabonete de glicerina, formulado desde 1915, pela mesma Casa Granado.

Mofolândia 2000 / 2012