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ALMANAQUE DA MÚSICA BREGA
Música Bem Popular Brasileira

Há cerca de 30 anos, eles eram taxados de cafonas. Hoje, suas músicas alegram festas concorridas e animadas, e a publicidade se serve dessas melodias para vender os mais diversos produtos.

"Eles" são os astros da música brega, agora reunidos no livro Almanaque da Música Brega, que traz em verbetes os diversos ídolos, mostrando histórias da vida de cada um e suas discografias.

Antonio Carlos Cabrera, autor da obra, mostra que esses artistas começaram a invadir as rádios a partir dos anos 70. Músicas de cantores como Odair José, Waldick Soriano, Sidney Magal e Lindomar Castilho faziam parte da vida das classes menos favorecidas. Eram os porteiros, taxistas, empregadas domésticas, entre outros, que tinham ao seu lado um radinho de pilha para ouvir suas canções preferidas desses artistas.

A TV também foi parte integrante para que o gênero fizesse ainda mais sucesso. Programas de Sílvio Santos, Chacrinha e Bolinha, entre outros, mostravam semanalmente as grandes composições.

Esse mesmo brega, criticado por uma parte da elite intelectual no passado, hoje é cult e faz sucesso.

Para explicar esse rico universo, o autor reuniu histórias emocionantes, engraçadas, de esforço e superação e conta algumas passagens dos principais cantores do gênero brega, como por exemplo:


Teixeirinha - O cantor e compositor gaúcho Victor Mateus Teixeira não pode ser considerado um cantor genuinamente brega, já que faz uma música tida como regional. Mas seu maior sucesso é um dos clássicos do brega - Coração de Luto, que vendeu mais de 1 milhão de cópias -, narra a perda da mãe aos nove anos, queimada no fogo. O Almanaque mostra que a história é verídica. Teixeirinha tinha nove anos quando sua mãe teve um ataque epilético e caiu sobre uma fogueira.


Evaldo Braga - Nunca conheceu os pais e foi abandonado no lixo pela mãe prostituta. É ele quem interpreta a música "Sorria" (... Sorria, meu bem, sorria...). Sofria de depressão. Morreu precocemente aos 25 anos, em um acidente de automóvel na BR-3, em 1973. Seu corpo está enterrado no Cemitério do Caju, no Rio. Apesar de mais de trinta anos de sua morte,é lembrado com veneração pelos fãs que visitam seu túmulo e prestam homenagens com flores no Dia de Finados.


Fernando Mendes - Com a música "Cadeira de Rodas", em 1975 (... Sentada na porta/ em sua cadeira de rodas ficava...), o cantor e compositor mineiro alcançou o sucesso em rádios e programas de TV da época. É dele a música "Você não me ensinou a te esquecer", regravada por Caetano Veloso para a trilha sonora do filme Lisbela e o Prisioneiro


Odair José - Ao lado de lado de Caetano Veloso, participou da Mostra Phono 73, interpretando junto com ele a música Vou tirar você deste lugar ("... eu vou tirar você deste lugar / eu vou levar você para ficar comigo / e não me interessa / o que os outros vão pensar ..."). Era casado com a cantora também brega Diana. Envolveu-se numa briga com ela, e o caso teve grande repercussão na época. A música "Uma vida só", também conhecida como Pare de tomar pílula é talvez uma das mais famosas de sua carreira. Um mega-sucesso que incomodou os censores da ditadura militar e que acabou proibida nacionalmente.


Sobre o autor


Antônio Carlos Cabrera nasceu em Santo André (SP). Ex-DJ na região do ABC
paulista, nos anos 80, é formado em psicologia, editor do site Mofolândia
(www.mofolândia.com.br) e colunista da Rádio Bandeirantes AM, no programa
Você é Curioso?, onde tem contato comvários artistas populares. É ainda autor do livro Mofolândia vol. 1.


Sobre a editora

Matrix é a única editora do Brasil especializada em livros bem-humorados.
Entre seus títulos encontram-se best-sellers como "Chaves - Foi Sem Querer
Querendo", "Manual do Xavequeiro" e  "Guia do Pão-Duro".

 

abril/2007

 

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