Acidente da TAM em 1996: o avião que caiu em São Paulo e chocou o país nos anos 90
Em 1996, a queda do voo TAM 402 logo após a decolagem em Congonhas deixou 99 mortos e marcou uma das maiores tragédias aéreas da história do Brasil.

O acidente da TAM em 1996 foi uma das tragédias aéreas mais impactantes da história brasileira. Na manhã de 31 de outubro daquele ano, o voo TAM 402 decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Poucos segundos depois, o avião caiu sobre casas no bairro do Jabaquara, na Zona Sul da capital paulista.
A aeronave era um Fokker 100, modelo muito usado pela companhia na época. O voo fazia parte de uma rota doméstica que ligava Caxias do Sul a Recife, com escalas em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. A etapa que terminou em tragédia era justamente a saída de Congonhas rumo ao Rio.
O impacto foi devastador. Todos os ocupantes da aeronave morreram, além de pessoas que estavam em solo. A queda, em uma área urbana, chocou o país pela violência das imagens, pela proximidade com casas e ruas movimentadas e pela sensação de que a tragédia havia acontecido no meio da rotina comum de São Paulo.
Nos anos 90, a televisão ainda concentrava a atenção nacional. A cobertura tomou conta dos telejornais, rádios e jornais impressos. O Brasil acompanhou atônito as imagens dos destroços, das equipes de resgate, dos moradores assustados e da busca por respostas.
Voo TAM 402: a queda logo após a decolagem em Congonhas
O voo TAM 402 caiu segundos depois de deixar a pista de Congonhas. Segundo a Memória Globo, o Fokker 100 caiu seis segundos após levantar voo; a investigação apontou que o reverso da turbina direita se abriu no momento da decolagem, fazendo a aeronave tombar sobre o Jabaquara.
O reversor de empuxo é um sistema usado para ajudar a frear o avião no pouso. Ele redireciona a força do motor para reduzir a velocidade da aeronave. O problema é que esse sistema não deveria ser acionado durante a decolagem. Quando isso aconteceu, o avião perdeu controle em uma fase crítica do voo.
A queda foi muito rápida. Não houve tempo para reação pública, para alerta amplo ou para qualquer tentativa visível de contornar a situação. O avião atingiu uma área residencial, provocando destruição e pânico. Para quem morava perto de Congonhas, o acidente reforçou o medo de viver em uma região cercada por pousos e decolagens constantes.
A tragédia deixou 99 mortos, considerando os ocupantes do avião e vítimas em solo. O relatório e registros jornalísticos apontam o acidente como o mais fatal envolvendo um Fokker 100.
A tragédia aérea que marcou os anos 90 no Brasil
O acidente da TAM em 1996 ficou gravado na memória brasileira porque reuniu vários elementos de impacto: uma grande companhia aérea, um aeroporto central, uma queda em área residencial e mortes em solo. Era o tipo de tragédia que fazia o país inteiro parar diante da televisão.
A investigação do Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável por apurar acidentes aéreos, apontou o acionamento do reversor de empuxo durante a decolagem como ponto central da tragédia. O relatório final foi divulgado em dezembro de 1997.
O caso também levantou discussões sobre manutenção, segurança operacional, projeto de aeronaves, procedimentos de emergência e fiscalização. Depois de um acidente dessa dimensão, o debate não fica restrito à causa técnica. Ele envolve confiança do passageiro, responsabilidade das empresas e o medo coletivo de voar.
Para os brasileiros dos anos 90, o acidente virou uma lembrança amarga. Quem viu a cobertura na televisão lembra da comoção, dos nomes das vítimas, das imagens do bairro atingido e da sensação de choque nacional. Era uma época em que grandes tragédias ganhavam uma dimensão quase permanente no imaginário popular.
Décadas depois, o acidente da TAM em 1996 continua sendo lembrado como uma das maiores tragédias aéreas do país. O voo 402 virou símbolo de um desastre rápido, brutal e cercado por perguntas técnicas que mudaram a forma como muita gente via a segurança da aviação.
A queda do Fokker 100 em São Paulo marcou os anos 90 porque aconteceu diante de um país conectado pela televisão, mas ainda sem a velocidade das redes sociais. A notícia se espalhou pelos plantões, pelos jornais e pelas conversas de rua. E, para muitos brasileiros, aquele 31 de outubro ficou associado para sempre ao dia em que um avião caiu sobre a cidade e parou o Brasil.
