Alfredo Bosi (1936–2021) foi historiador e crítico literário brasileiro, professor emérito da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Academia Brasileira de Letras. Reconhecido por sua erudição e compromisso ético, destacou-se como um dos maiores intérpretes da literatura e da cultura do Brasil contemporâneo.
Trajetória acadêmica e intelectual
Formado em letras neolatinas e doutor em literatura italiana pela USP, Bosi lecionou na universidade de 1959 a 2006, tornando-se professor titular de literatura brasileira em 1985. Dirigiu o Instituto de Estudos Avançados da USP (IEA-USP) e editou, por três décadas, a revista Estudos Avançados, que se tornou referência em humanidades e políticas públicas.
Obras e pensamento crítico
Sua produção une crítica literária e reflexão histórica. História concisa da literatura brasileira tornou-se manual clássico de ensino e pesquisa. Já Dialética da colonização propôs uma leitura inovadora do processo colonial, relacionando cultura, poder e linguagem. Outras obras notáveis incluem O ser e o tempo da poesia (1977), Machado de Assis: o enigma do olhar (1999) e Ideologia e contraideologia (2010).
Engajamento social e visão humanista
Católico e humanista, Bosi militou em defesa dos direitos humanos, da educação pública e do meio ambiente. Participou da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e do Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns, apoiando causas de trabalhadores e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.
Legado
O pensamento de Alfredo Bosi permanece central para os estudos literários e culturais brasileiros, conjugando rigor analítico, sensibilidade poética e compromisso ético com a sociedade. Sua obra inspira gerações de professores e pesquisadores que veem na literatura uma forma de resistência e reflexão crítica.
