Altemar Dutra de Oliveira (1940–1983) foi um cantor e compositor brasileiro, reconhecido como um dos maiores intérpretes de boleros e sambas-canção do país. Com voz potente e emotiva, ganhou fama nacional e internacional entre as décadas de 1960 e 1970, sendo chamado de “O Trovador das Américas” .
Início e ascensão
Criado em Colatina (ES), Altemar Dutra começou a cantar na Rádio Difusora local, inspirado por Francisco Alves. Aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se apresentou em boates e programas de calouros. Com apoio do compositor Jair Amorim e de Evaldo Gouveia, gravou seu primeiro sucesso, “Tudo de Mim”, e logo emplacou clássicos como “Que Queres Tu de Mim?”, “O Trovador”, “Brigas” e “Sentimental Demais”, este último seu maior êxito .
Estilo e legado musical
Conhecido por uma interpretação intensa e sem vibrato, Dutra reavivou o bolero no Brasil em plena era da bossa nova. Suas canções falavam de amores e desencontros com lirismo direto. Gravou também em espanhol, tornando-se popular em toda a América Latina e nos Estados Unidos — onde chegou a se apresentar no Carnegie Hall e lançar o disco “El Bolero se Canta Así”, com o chileno Lucho Gatica .
Morte e homenagens
Durante uma turnê em Nova Iorque, Altemar Dutra sofreu um AVC e faleceu aos 43 anos. Sua morte causou grande comoção no Brasil e entre fãs latinos. A gravadora BMG lançou, em 1988, uma coletânea póstuma intitulada “O Trovador”. Seu filho, Altemar Dutra Jr., mantém vivo o repertório do pai em shows e gravações .
Importância cultural
Altemar Dutra consolidou o bolero como expressão popular no país, sendo lembrado como “o último dos seresteiros”. Sua obra atravessou gerações e permanece presente em rádios, coletâneas e trilhas sonoras de filmes brasileiros e latino-americanos .
