Ângela Maria (nome artístico de Abelim Maria da Cunha; 1929–2018) foi uma cantora e atriz brasileira, considerada uma das maiores intérpretes da música popular do país. Conhecida como “Rainha do Rádio”, marcou a era de ouro do samba-canção e deixou um legado de mais de 100 discos e sucessos imortais.
Início e ascensão
Filha de pastor protestante, começou cantando em coros religiosos antes de se aventurar nos programas de calouros das rádios do Rio de Janeiro no fim dos anos 1940. Adotou o nome artístico Ângela Maria para esconder-se da família. Em 1948 tornou-se crooner do Dancing Avenida e, três anos depois, gravou o primeiro disco pela RCA Victor com “Sou Feliz” e “Quando Alguém Vai Embora”.
Era do Rádio e consagração
Nos anos 1950, consolidou-se como a voz feminina mais popular do país. Ganhou o título de Rainha do Rádio (1954) com votação recorde e tornou-se símbolo do romantismo brasileiro. Canções como “Vida de Bailarina”, “Fósforo Queimado”, “Lábios de Mel” e “Babalú” tornaram-se clássicos. Sua voz potente e emoção interpretativa influenciaram gerações de artistas, entre eles Elis Regina e Clara Nunes.
Carreira posterior e colaborações
Resistiu às mudanças musicais trazidas pela bossa nova e pela tropicália, mantendo público fiel. Gravou com nomes como Cauby Peixoto e Agnaldo Timóteo; o álbum “Ângela e Cauby ao Vivo” (1992) renovou seu prestígio. Continuou em atividade até os últimos anos, lançando trabalhos como “Ângela à Vontade em Voz e Violão” (2015).
Legado
Ângela Maria é tida como referência máxima da voz feminina na música popular brasileira. Sua interpretação apaixonada e técnica impecável fizeram dela uma artista de todos os tempos — uma “Sapoti” cuja doçura e força vocal permanecem na memória da MPB.
