Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895–1971), conhecido como Barão de Itararé ou Apporelly, foi jornalista, escritor e humorista brasileiro. É considerado o fundador do humor político moderno no Brasil, unindo crítica social e sátira em plena era do Estado Novo.
O humor e o jornal “A Manha”
Em 1926 fundou o jornal A Manha, resposta irônica ao diário A Manhã, de Mário Rodrigues. O periódico misturava sátira política e trocadilhos ácidos, com slogans como “Órgão de ataques... de riso”. Suas edições criticavam governos, elites e a corrupção, influenciando gerações de humoristas e publicações posteriores como O Pasquim.
Política e perseguição
Ativo militante da Aliança Nacional Libertadora, Torelly foi preso durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e chegou a dividir cela com o escritor Graciliano Ramos, tornando-se personagem de Memórias do Cárcere. Em 1947, foi eleito vereador do Rio de Janeiro pelo Partido Comunista, com o slogan “Mais leite, mais água, mas menos água no leite”.
Obras e legado
Publicou coletâneas de humor como os Almanhaques d’A Manha (1949–1955), e inspirou nomes como Jaguar e Ziraldo. Seu estilo irônico e suas máximas — “O que se leva desta vida é a vida que a gente leva” — consolidaram-no como ícone da sátira brasileira.
Últimos anos
Nos anos 1960, recluso em seu apartamento no Rio de Janeiro, estudou matemática e o que chamava de “biônica”. Faleceu em 1971, deixando vasta herança intelectual e ruas nomeadas em sua homenagem em cidades gaúchas. Seu humor contestador segue referência central na cultura política e jornalística do Brasil.
