Austregésilo de Athayde (1898–1993) foi jornalista, escritor e intelectual pernambucano, reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos e pela longa presidência da Academia Brasileira de Letras. Participou da redação da Declaração Universal dos Direitos Humanos e marcou a história da imprensa brasileira ao dirigir os Diários Associados.
Carreira e jornalismo
Formado em Direito, iniciou-se na imprensa em A Tribuna e depois atuou em Correio da Manhã e O Jornal. Convidado por Assis Chateaubriand, integrou a organização dos Diários Associados, onde exerceu funções de direção e consolidou sua influência jornalística. Publicou milhares de artigos e crônicas, sempre alinhado ao pensamento liberal e democrático, sendo uma das vozes contrárias ao autoritarismo durante o Estado Novo e o regime militar.
Participação internacional e direitos humanos
Em 1948, como delegado brasileiro na Organização das Nações Unidas, participou ativamente da comissão que redigiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos, ao lado de Eleanor Roosevelt, Charles Malik e René Cassin. Seu papel foi reconhecido por líderes como Cassin e Jimmy Carter, que destacou sua “liderança vital” no processo.
Academia Brasileira de Letras
Eleito para a Cadeira nº 8 da ABL em 1951, Athayde presidiu a instituição por mais de três décadas. Sob sua gestão, construiu-se o edifício do Centro Cultural do Brasil, consolidando a base patrimonial e cultural da Academia. Tornou-se símbolo da Casa de Machado de Assis, pela dedicação à valorização da língua e da literatura nacionais.
Legado
Athayde deixou uma produção jornalística vastíssima e uma obra literária modesta, mas seu legado principal é ético e institucional: a defesa da dignidade humana e da liberdade de pensamento. Sua filha, a escritora Laura Sandroni, organizou Crônicas de Natal (2013), reunindo textos que exemplificam seu humanismo e compromisso com a democracia.
