Música

Bezerra da Silva

José Bezerra da Silva (1927–2005) foi um cantor, compositor e multi-instrumentista brasileiro, reconhecido como um dos grandes expoentes do samba de partido-alto. Com ironia e crítica social, transformou o cotidiano das favelas e da malandragem carioca em canções de sucesso e se consagrou como a “voz do morro”.

Início e formação musical

Filho de família pobre, Bezerra começou trabalhando na construção civil após mudar-se para o Rio de Janeiro. No Morro do Cantagalo, envolveu-se com o samba e o carnaval. Tocava violão, cavaquinho e instrumentos de percussão, tendo passado pela Rádio Clube do Brasil e pela orquestra da Copacabana Discos . Seu primeiro compacto foi lançado em 1969; o LP de estreia, O Rei do Côco (1975), revelou sua irreverência e domínio do partido-alto.

Estilo e temas

Bezerra destacou-se por interpretar composições de autores anônimos das periferias, abordando temas como desigualdade, criminalidade e hipocrisia social. Seu estilo — apelidado de “sambandido” — mesclava humor e denúncia, antevendo o espírito contestador do hip hop brasileiro . Canções como “Malandragem Dá um Tempo”, “Meu Pirão Primeiro” e “Sequestraram Minha Sogra” tornaram-se clássicos.

Reconhecimento e legado

Com 11 discos de ouro e 3 de platina, Bezerra foi símbolo da resistência cultural do samba popular. Inspirou artistas como Marcelo D2, que lançou Marcelo D2 Canta Bezerra da Silva (2010). Sua vida e obra foram retratadas no livro Bezerra da Silva – Produto do Morro e no documentário Onde a Coruja Dorme . Até hoje, sua figura do malandro de boné inspira sambistas e rappers em todo o Brasil.

Biografia compilada pelo Mofolândia.

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