George Savalla Gomes (1915–2006), conhecido como Carequinha, foi um palhaço, cantor e ator brasileiro. Pioneiro da televisão infantil no país, destacou-se como o primeiro palhaço a ter um programa próprio na TV, tornando-se símbolo da cultura popular e da alegria circense brasileira.
Início e carreira no circo
Filho de trapezistas, nasceu literalmente sob a lona do circo. Aos cinco anos, estreou no picadeiro com uma peruca de careca — origem do nome artístico “Carequinha”. Aos 12, já era palhaço oficial do Circo Ocidental. A carreira precoce consolidou-se em companhias pelo Brasil e no exterior, representando o país em festivais internacionais.
Sucesso no rádio e na televisão
Em 1938, estreou na Rádio Mayrink Veiga com o programa Picolino. Na década de 1950, tornou-se o primeiro palhaço a comandar um programa de TV, Circo Bombril, exibido pela TV Tupi por 16 anos. O bordão “Tá certo ou não tá, garotada?” e canções como “O Bom Menino” marcaram gerações. Nos anos 1980, apresentou o Circo Alegre na TV Manchete, influenciando formatos posteriores de programas infantis.
Música, cinema e legado
Carequinha gravou cerca de 26 discos e participou de filmes como Com Água na Boca (1956) e Sherlock de Araque (1957). Suas canções, entre elas “Sapo Cururu” e “Escravos de Jó”, difundiram valores morais e o humor inocente das matinês. Considerado “o palhaço dos presidentes”, apresentou-se para líderes como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
Últimos anos e reconhecimento
Ativo até os 90 anos, fez aparições na Escolinha do Professor Raimundo e na minissérie Hoje é Dia de Maria. Faleceu de infarto em 2006, em São Gonçalo, cidade que adotou como lar. É lembrado como patrimônio cultural do Brasil, símbolo de uma era de ouro do circo e da TV infantil.
