Carmen Costa (1920–2007) foi uma cantora, compositora e percussionista brasileira, uma das principais vozes da era de ouro do rádio. Dona de um timbre marcante e presença carismática, atravessou décadas de transformações na música popular, firmando-se como referência do samba e das marchinhas de carnaval.
Início e ascensão no rádio
Carmen Costa começou a cantar ainda adolescente, quando trabalhava como empregada doméstica na casa do cantor Francisco Alves. Incentivada por ele e pela plateia do programa de calouros de Ary Barroso, iniciou carreira ao lado do compositor Henricão, que lhe deu o nome artístico. O sucesso veio em 1942 com “Está Chegando a Hora”, adaptação de “Cielito Lindo”, que virou clássico dos carnavais.
Carreira internacional e bossa nova
Na década de 1940, integrou o elenco do Cassino Copacabana e excursionou pela América e pelos Estados Unidos, onde viveu alguns anos. Participou do histórico concerto da bossa nova no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962, ao lado de Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz. Gravou também o álbum Carmen Costa en México (1966), ampliando seu repertório latino.
Repertório e estilo
Sua discografia atravessou sambas, marchinhas, boleros e sambas-canção. Ao lado de Mirabeau Pinheiro, firmou parcerias como “Cachaça não é Água” e “Tem Nêgo Bebo Aí”. Em tom confessional, imortalizou “Eu Sou a Outra” e “Quase”, combinando lirismo e força interpretativa.
Legado e reconhecimento
Carmen Costa foi uma das primeiras mulheres negras a alcançar destaque no rádio brasileiro. Recebeu a Ordem do Mérito Cultural (2003) e o prêmio Golfinho de Ouro (2006). Seu último disco, Tantos Caminhos (1996), revisitou sucessos e reafirmou sua importância como “Grande Dama da Música Brasileira”.
