Celso Augusto Daniel (1951–2002) foi um político brasileiro do Partido dos Trabalhadores e prefeito de Santo André, notório por seu papel como urbanista e gestor público inovador. Sua morte violenta em 2002 teve grande repercussão nacional e permanece envolta em controvérsias políticas e judiciais.
Trajetória e gestão
Engenheiro civil e mestre pela Fundação Getulio Vargas, Daniel foi professor universitário e um dos fundadores do PT em 1980. Eleito prefeito de Santo André em três mandatos, implementou políticas de recuperação urbana, estímulo a pequenas empresas e participação popular na formulação orçamentária. Representou o Brasil na conferência ONU-Habitat de 2000, onde apresentou projetos de desenvolvimento local baseados em inclusão social .
Sequestro e assassinato
Na noite de 18 de janeiro de 2002, Daniel foi sequestrado em São Paulo ao sair de um restaurante. Seu corpo foi encontrado dois dias depois, com múltiplos disparos e sinais de tortura, em Juquitiba, a cerca de 70 km da capital . O crime chocou o país, levando o presidente Fernando Henrique Cardoso a determinar investigação federal. Inicialmente tratado como crime comum, o caso levantou suspeitas de motivação política e de vínculos com esquemas de corrupção municipal .
Repercussão e legado
A morte de Celso Daniel tornou-se um dos episódios mais controversos da história política recente do Brasil. A polícia e o Ministério Público do Estado de São Paulo apresentaram versões divergentes sobre autoria e motivação, e várias figuras políticas foram citadas ao longo dos anos em diferentes investigações. O episódio afetou a imagem pública do PT e é frequentemente relembrado em debates sobre ética e segurança pública .
Sua atuação como prefeito é reconhecida por práticas pioneiras de gestão participativa e por políticas de inclusão que influenciaram administrações petistas subsequentes.
