Celso Monteiro Furtado (1920–2004) foi um economista, intelectual e servidor público brasileiro, amplamente reconhecido como um dos principais teóricos do desenvolvimento e do subdesenvolvimento na América Latina. Sua obra influenciou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a formulação de políticas de desenvolvimento no Brasil, sobretudo no Nordeste.
Trajetória e pensamento econômico
Formado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutor em Economia pela Universidade de Paris (Sorbonne), Furtado integrou a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) a partir de 1949. Ali consolidou o método histórico-estruturalista, que via o subdesenvolvimento como resultado de estruturas produtivas desiguais, não apenas de atraso tecnológico. Sua abordagem inspirou gerações de economistas e consolidou uma escola latino-americana de pensamento econômico.
Políticas públicas e exílio
Em 1959, elaborou o Plano de Desenvolvimento do Nordeste, origem da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), órgão pioneiro no planejamento regional. Como ministro do Planejamento no governo João Goulart, coordenou o Plano Trienal (1962). Após o golpe militar de 1964, teve direitos políticos cassados e exilou-se, lecionando nas universidades de Yale University, Columbia University e Sorbonne.
Produção intelectual e legado
Autor de mais de trinta livros, entre eles Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (1961) e O Mito do Desenvolvimento Econômico (1974), Furtado articulou economia, história e política numa visão crítica da dependência latino-americana. Na redemocratização, atuou como ministro da Cultura no governo José Sarney e foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (1997). Indicado ao Prêmio Nobel de Economia em 2003, permanece referência essencial do pensamento desenvolvimentista brasileiro.
