Clara Nunes (1942–1983) foi uma cantora e compositora brasileira, reconhecida como uma das maiores intérpretes do samba e da música popular brasileira (MPB). Primeira mulher a ultrapassar a marca de 100 mil discos vendidos no país, tornou-se símbolo da força feminina na música e da valorização das tradições afro-brasileiras.
Trajetória artística
Clara iniciou sua carreira em Belo Horizonte como tecelã e cantora de rádio. No Rio de Janeiro, firmou-se com a gravadora Odeon e lançou 16 álbuns de estúdio. Seu ponto de virada foi Alvorecer (1974), que consagrou sucessos como “Conto de Areia” e rompeu o tabu de que mulheres não vendiam discos no Brasil. O disco seguinte, Claridade (1975), consolidou sua imagem como símbolo de brasilidade, unindo samba, religiosidade e poesia popular.
Estilo e legado
A voz cristalina e o repertório centrado em composições de autores como Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola e João Bosco aproximaram Clara do universo do samba carioca, em especial da escola Portela, sua grande paixão. Inspirada nas tradições afro-brasileiras, incorporou elementos do candomblé e da umbanda em sua estética, fortalecendo o diálogo entre fé, música e identidade nacional.
Homenagens e reinterpretações
Após sua morte por choque anafilático durante cirurgia, Clara Nunes permaneceu como referência cultural. Foi tema do documentário Clara Estrela (2018), de exposições e de montagens teatrais como o musical Clara Nunes – A Tal Guerreira, estrelado por Vanessa da Mata e Emanuelle Araújo, premiado no Prêmio Bibi Ferreira de 2025. Seu memorial em Caetanópolis e o Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, perpetuam a memória da “guerreira da utopia”, que transformou o samba em celebração da alma brasileira.
