Darcy Ribeiro (1922–1997) foi um antropólogo, educador, escritor e político brasileiro, reconhecido por sua atuação em defesa dos povos indígenas, pela criação da Universidade de Brasília e pelos projetos educacionais dos Cieps no Rio de Janeiro. Sua obra une reflexão antropológica, pensamento social e militância política voltada à formação do povo brasileiro.
Formação e carreira inicial
Formado em Ciências Sociais pela Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, Ribeiro ingressou no Serviço de Proteção ao Índio em 1947, realizando pesquisas etnográficas entre povos como Kadiwéu, Urubu-Kaapor e Ofayé. Criou o Museu do Índio e colaborou na implantação do Parque Indígena do Xingu, primeira reserva homologada no país.
Educação e universidade
Com o educador Anísio Teixeira, concebeu a Universidade de Brasília, inaugurada em 1962, símbolo de autonomia acadêmica e interdisciplinaridade. No exílio, após o golpe de 1964, trabalhou em universidades da Venezuela, Chile e Peru, difundindo reformas universitárias de caráter emancipatório.
Atuação política e legado social
Anistiado, retornou ao Brasil em 1976 e, aliado a Leonel Brizola, criou os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps), escolas de tempo integral voltadas à inclusão social. Também idealizou o Sambódromo Marquês de Sapucaí, integrando cultura e educação.
Pensamento e obra intelectual
Autor de mais de 30 livros, desenvolveu a “antropologia da civilização”, analisando processos históricos das Américas e defendendo a ideia de uma civilização brasileira mestiça e criativa. Entre suas obras destacam-se O Processo Civilizatório (1968), As Américas e a Civilização (1970), os romances Maíra (1976) e Utopia Selvagem (1982), e as memórias Confissões (1997).
Reconhecimento e legado
Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1992 e doutor honoris causa por diversas universidades, Darcy Ribeiro permanece referência central no pensamento social latino-americano por combinar utopia, crítica e ação prática em prol de um Brasil mais justo e plural.
