Dona Ivone Lara (Yvonne Lara da Costa, 1921–2018) foi cantora, compositora e enfermeira brasileira, reconhecida como a “Grande Dama do Samba”. Primeira mulher a integrar a ala de compositores de uma escola de samba, transformou-se em símbolo de resistência feminina e negra na música popular brasileira.
Trajetória e pioneirismo
Criada entre Botafogo e Madureira, Dona Ivone compôs o primeiro samba aos 12 anos e aprendeu cavaquinho com o tio. Foi aluna de Lucília Villa-Lobos e elogiada por Heitor Villa-Lobos. Mesmo enfrentando o machismo do meio carnavalesco, em 1965 tornou-se a primeira mulher aceita na ala de compositores do Império Serrano, com o samba-enredo “Os Cinco Bailes da História do Rio”. Esse feito abriu caminho para outras sambistas e consolidou sua presença histórica no carnaval carioca.
Carreira musical
Após 37 anos na enfermagem, dedicou-se à música a partir de 1977. Lançou o primeiro álbum solo, Samba, Minha Verdade, Samba, Minha Raiz (1978), e compôs clássicos em parceria com Délcio Carvalho e Jorge Aragão. Sua obra destaca lirismo, ancestralidade africana e melodias sofisticadas, reinterpretadas por nomes como Maria Bethânia, Caetano Veloso e Beth Carvalho.
Atuação social e legado
Formada em enfermagem e terapia ocupacional, trabalhou ao lado da psiquiatra Nise da Silveira na reforma psiquiátrica, usando a música como instrumento terapêutico. Pioneira na interseção entre arte, saúde mental e direitos humanos, influenciou tanto o samba quanto a humanização da medicina. Hoje, seu legado é reverenciado em escolas de samba, festivais e registros culturais, sendo celebrado como patrimônio imaterial da cultura brasileira.
