Elizeth Cardoso (1920–1990) foi uma cantora e atriz brasileira reconhecida como uma das maiores intérpretes do samba e do samba-canção. Conhecida como “A Divina”, marcou a música popular brasileira pela elegância vocal, emoção interpretativa e contribuição decisiva à formação da bossa nova.
Início e ascensão
Nascida no bairro de São Francisco Xavier, próxima ao morro da Mangueira, iniciou a carreira ainda adolescente, descoberta por Jacob do Bandolim. Estreou em 1936 na Rádio Guanabara e, ao longo da década de 1940, consolidou-se em programas de rádio e boates do Rio e de São Paulo, destacando-se pela voz aveludada e dicção precisa.
Consolidação e legado
O álbum Canção do Amor Demais (1958), com composições de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, foi o primeiro a incluir o violão de João Gilberto e é considerado o marco inicial da bossa nova. Sua carreira de mais de cinco décadas rendeu mais de 40 LPs, entre eles Elizeth Sobe o Morro (1965), A Enluarada Elizeth (1967) e Todo o Sentimento (1991, póstumo).
Colaborações e influência
Elizeth trabalhou com grandes nomes como Pixinguinha, Cartola, Clementina de Jesus, Zimbo Trio e Raphael Rabello. Representou o Brasil em turnês internacionais e foi reverenciada por sua versatilidade, capaz de unir erudição e popularidade.
Últimos anos e homenagens
Diagnosticada com câncer no estômago nos anos 1980, manteve-se ativa até pouco antes da morte. Recebeu tributos como o musical Elizeth, a Divina (2018) e diversas reedições de sua obra. Sua voz e estilo permanecem referências fundamentais para intérpretes de samba e MPB.
