Elza Soares (1930–2022) foi uma cantora, compositora e ícone da música popular brasileira. Dona de uma voz rouca e inconfundível, atravessou mais de seis décadas de carreira, reinventando o samba e tornando-se símbolo de resistência, feminismo negro e inovação artística.
Infância e ascensão
Nascida na favela de Moça Bonita, zona oeste do Rio, Elza enfrentou extrema pobreza e foi obrigada a casar-se aos 12 anos. Participou de um concurso de rádio em 1953, no qual respondeu ao apresentador Ary Barroso que vinha do “Planeta Fome” — frase que marcou sua trajetória. A partir dos anos 1960, consolidou-se com álbuns como A Bossa Negra (1961), que misturava samba, bossa nova e jazz.
Carreira e estilo
Com uma discografia superior a 30 álbuns, Elza explorou múltiplas vertentes do samba, do sambalanço ao samba-jazz. Sua voz grave e vibrante foi comparada às de Billie Holiday e Tina Turner. Entre os discos mais marcantes estão Do Cóccix Até o Pescoço (2002), A Mulher do Fim do Mundo (2015) e Deus é Mulher (2018), em que combinou ritmos afro-brasileiros e letras de protesto.
Ativismo e legado
Elza foi uma voz poderosa contra o racismo, a violência de gênero e a desigualdade social. Canções como “A Carne” e “Maria da Vila Matilde” tornaram-se hinos de resistência. Mesmo aos 86 anos, brilhou na cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio (2016). Sua arte uniu gerações e inspirou músicos contemporâneos.
Vida pessoal e impacto cultural
Casou-se com o lendário jogador Mané Garrincha, com quem viveu um relacionamento turbulento. Viúva e mãe de vários filhos, superou tragédias pessoais sem abandonar a música. Reverenciada como “rainha do samba”, Elza Soares permanece símbolo de força e criatividade na cultura brasileira e mundial.
