Euclides da Cunha (1866–1909) foi um escritor, jornalista, engenheiro e pensador brasileiro, autor de Os Sertões, obra fundamental do pré-modernismo. Seu olhar científico e literário sobre a Guerra de Canudos transformou o episódio num marco de reflexão sobre o Brasil profundo e suas contradições sociais.
Trajetória e formação
Criado entre o Rio de Janeiro e a Bahia após a morte precoce da mãe, Euclides foi aluno de Benjamin Constant, de quem herdou o ideal republicano e o interesse pelo positivismo. Expulso do Exército por insubordinação ainda no Império, retornou após a Proclamação da República e exerceu também a engenharia civil e o jornalismo.
"Os Sertões" e a Guerra de Canudos
Enviado pelo jornal O Estado de S. Paulo para cobrir o conflito de Canudos (1897), observou o massacre dos sertanejos liderados por Antônio Conselheiro. O material resultou em Os Sertões, dividido em “A Terra”, “O Homem” e “A Luta”. A obra alia geografia, sociologia e épica literária, denunciando a violência do Estado e propondo uma compreensão mais ampla da identidade nacional.
Estilo e ideias
Sua prosa densa e erudita combina cientificismo, determinismo e lirismo, em linguagem denominada “barroco científico”. Foi pioneiro ao aproximar literatura e ciências sociais, descrevendo o sertanejo como “antes de tudo, um forte”. O livro representa a tensão entre civilização e barbárie, litoral e interior, modernidade e atraso.
Últimos anos e legado
Após o sucesso de Os Sertões, Euclides integrou a Comissão de Limites entre Brasil e Peru e publicou ensaios como Contrastes e confrontos (1907) e À margem da história (1909). Morreu tragicamente ao ser alvejado pelo cadete Dilermando de Assis em um confronto pessoal. Sua obra influenciou autores e pensadores como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, consolidando-se como pilar da literatura e do pensamento social brasileiros.
