Flávio Cavalcanti (Flávio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti, 1923–1986) foi um apresentador, jornalista, radialista e compositor brasileiro. Figura central da televisão entre as décadas de 1950 e 1980, marcou época com seu estilo incisivo, bordões populares e a criação do primeiro júri da TV nacional.
Carreira e estilo televisivo
Iniciou a carreira no jornal A Manhã e, paralelamente, no Banco do Brasil e na Alfândega do Rio. Na televisão, estreou em 1957 com Um Instante, Maestro! na TV Tupi. Ganhou notoriedade por programas como A Grande Chance, Boa Noite, Brasil e Programa Flávio Cavalcanti, onde introduziu o formato de júri e lançou artistas como Fafá de Belém, Alcione e Emílio Santiago. Tornou-se conhecido pelo gesto de erguer a mão e pelo bordão “Nossos comerciais, por favor!”. Suas críticas a músicas consideradas fracas — muitas vezes quebrando discos ao vivo — tornaram-se marca registrada.
Polêmicas e censura
Cavalcanti cultivava uma postura conservadora e polêmica. Apoiou inicialmente o golpe militar de 1964, mas afastou-se do regime ao se opor à censura e à tortura, chegando a abrigar a atriz Leila Diniz em sua casa. Seu programa chegou a ser suspenso pela censura federal nos anos 1970, o que reforçou sua imagem de comunicador ousado.
Legado e morte
Durante um intervalo do Programa Flávio Cavalcanti no SBT, em 22 de maio de 1986, sofreu uma isquemia que resultou em sua morte quatro dias depois. O SBT saiu do ar por 24 horas em homenagem ao apresentador. Seu legado permanece como um dos pilares da TV brasileira, ao lado de Chacrinha e Silvio Santos, símbolo da era de ouro dos auditórios televisivos.
