Flávio Migliaccio (1934–2020) foi um ator, roteirista e diretor brasileiro, nascido em São Paulo. Figura central do teatro, cinema e televisão do país, destacou-se pela versatilidade e por personagens marcantes na comédia e no drama, tornando-se um dos rostos mais queridos da teledramaturgia nacional.
Início e carreira teatral
Oriundo de uma família numerosa de origem italiana, Migliaccio iniciou-se no teatro amador em uma igreja paulistana e profissionalizou-se no Teatro de Arena nos anos 1950. Participou de montagens icônicas do período, como Eles Não Usam Black-Tie e Chapetuba Futebol Clube, consolidando-se entre os nomes ligados ao movimento do Cinema Novo.
Cinema e direção
No cinema, estreou em O Grande Momento (1958) e dirigiu Os Mendigos (1962), obra participante do Festival de Moscou. Também atuou em filmes emblemáticos como Terra em Transe, Todas as Mulheres do Mundo e Pra Frente, Brasil (1982). Seu estilo combinava crítica social e humor popular.
Sucesso na televisão
Na TV Globo, ganhou enorme notoriedade como o Xerife do seriado Shazan, Xerife e Cia. (1972–1974), ao lado de Paulo José. Criou e protagonizou As Aventuras do Tio Maneco (1971–1985), voltada ao público infantil, e mais tarde marcou presença em novelas como Rainha da Sucata, Senhora do Destino, Passione e na série Tapas & Beijos, interpretando o carismático Chalita. Seu último papel foi Mamede Al Aud em Órfãos da Terra (2019).
Vida pessoal e legado
Migliaccio manteve uma carreira ativa por mais de seis décadas, sendo lembrado por colegas e público pela generosidade e humor afetuoso. Faleceu aos 85 anos, em Rio Bonito (RJ), em 4 de maio de 2020. Deixou carta com reflexões sobre a velhice e a humanidade, que repercutiram amplamente na imprensa.
