Gal Costa (1945–2022) foi uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira (MPB). Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, Bahia, ela tornou-se ícone do movimento Tropicália e símbolo de ousadia artística, feminilidade livre e inovação musical. Sua carreira se estendeu por mais de cinco décadas, deixando um legado de experimentação e beleza vocal incomparável.
Início e ascensão
Gal iniciou a carreira em meados dos anos 1960, participando de festivais e programas de TV ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Tom Zé. O álbum Domingo (1967), em dupla com Caetano, marcou sua estreia fonográfica. No ano seguinte, ela integrou o histórico disco coletivo Tropicália ou Panis et Circensis, marco do movimento que misturou bossa nova, rock psicodélico e crítica social.
Experimentação e impacto
Seus álbuns de 1969 — Gal Costa e Gal — consolidaram sua reputação como intérprete revolucionária. O provocante Índia (1973), censurado pela ditadura por sua capa, tornou-se símbolo de liberdade estética e sexual. Gal transitou com naturalidade entre o pop, o samba e o rock, colaborando com compositores como Chico Buarque, Milton Nascimento e Dorival Caymmi.
Reconhecimento e legado
Gal Costa recebeu o Latin Grammy Lifetime Achievement Award e foi incluída entre as 200 maiores vozes de todos os tempos pela Rolling Stone (2023). Sua presença cênica exuberante e voz cristalina transformaram-se em referência para gerações posteriores, influenciando artistas como Marisa Monte e Björk. Até seus últimos anos, manteve-se ativa, com turnês e discos como Recanto (2011) e Nenhuma Dor (2021).
Legado cultural
Mais que uma cantora, Gal foi expressão de coragem artística. Incorporou o espírito de resistência cultural da Tropicália e abriu caminhos para mulheres na música brasileira. Sua morte, em 2022, foi amplamente lamentada como a partida de uma das maiores intérpretes da história do Brasil.
