Grande Otelo (1915–1993), nome artístico de Sebastião Bernardes de Souza Prata, foi um ator, comediante, cantor e escritor brasileiro. Considerado um dos maiores intérpretes do século XX no Brasil, destacou-se no cinema, teatro e televisão, sendo ícone da cultura popular e pioneiro na representação de artistas negros no entretenimento nacional.
Início de vida e formação
Órfão de pai e com mãe alcoólatra, viveu uma infância difícil em Minas Gerais. Ainda criança, foi entregue pela mãe a uma companhia de circo e levado a São Paulo, onde iniciou apresentações em picadeiros. O apelido “Grande Otelo” surgiu de forma irônica — em referência ao personagem de Shakespeare e ao contraste com sua baixa estatura.
Carreira e impacto
Sua estreia no cinema ocorreu em Noites Cariocas (1935). Durante as décadas de 1940 e 1950, brilhou nas “chanchadas”, comédias musicais que dominaram o cinema brasileiro, especialmente em parceria com Oscarito, em filmes como Carnaval Atlântida e Matar ou Correr. Atuou também em produções consagradas como Macunaíma (1969), Fitzcarraldo (1982) e Quilombo (1984).
Grande Otelo transitava entre humor e drama com grande naturalidade, o que lhe rendeu reconhecimento nacional e elogios internacionais — o diretor It’s All True destacou seu talento singular em 1942.
Legado e homenagens
Faleceu em 1993, vítima de infarto, ao desembarcar em Paris para receber uma homenagem. Sua influência permanece viva em gerações de artistas e no Prêmio Grande Otelo, que leva seu nome. Também foi autor do livro de poemas Bom Dia, Manhã (1993). Em 2023, o documentário Othelo, O Grande celebrou sua trajetória no Festival do Rio.
