Hélio Jaguaribe (1923–2018) foi um jurista, sociólogo e cientista político brasileiro, reconhecido como um dos principais intérpretes do Brasil no século XX. Fundador do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), destacou-se por suas reflexões sobre desenvolvimento nacional, democracia e identidade latino-americana.
Formação e atuação intelectual
Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Jaguaribe tornou-se figura central no debate sobre nacionalismo e desenvolvimento. No ISEB, liderou discussões que influenciaram políticas públicas durante os governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Seus estudos buscaram conciliar soberania nacional com modernização econômica, sempre valorizando a autonomia intelectual brasileira. Lecionou em Harvard, Stanford e MIT durante seu exílio pós-1964 .
Pensamento e obras
Jaguaribe defendia um “desenvolvimentismo social-democrata”, vendo no Estado um agente estratégico do progresso, mas crítico do clientelismo político. Entre seus livros destacam-se O Nacionalismo na Atualidade Brasileira (1958), A Dependência Político-Econômica da América Latina, Um Estudo Crítico da História (2001) e Brasil: Alternativas e Saídas (2002). Sua obra aborda a relação entre identidade cultural e transformação social, enfatizando a necessidade de projetos nacionais autônomos .
Reconhecimento e legado
Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2005, Jaguaribe recebeu doutorados honoris causa de universidades na Alemanha, Argentina e Brasil. Foi considerado um dos últimos grandes intérpretes do país, comparado a pensadores como Darcy Ribeiro e Celso Furtado. Em 2017, sua filha Izabel Jaguaribe lançou o documentário Tudo é Irrelevante, celebrando sua trajetória intelectual .
