João Baptista de Oliveira Figueiredo (1918–1999) foi um militar e político brasileiro, o 30º presidente do Brasil e o último governante do regime militar (1979–1985). Seu mandato encerrou 21 anos de ditadura, conduzindo uma transição controlada para a democracia, marcada por avanços políticos e grave crise econômica.
Carreira militar e ascensão política
Filho do general Euclides de Oliveira Figueiredo, João formou-se pela Escola Militar do Realengo e participou ativamente do golpe de 1964 que depôs João Goulart. Serviu em cargos estratégicos, como chefe do Gabinete Militar no governo Médici e diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI) sob Ernesto Geisel, que o indicou como sucessor em 1978.
Governo e abertura política
Figueiredo manteve a política de “abertura lenta, gradual e segura” iniciada por Geisel. Promulgou a Lei da Anistia (1979), que permitiu o retorno de exilados e extinguiu o bipartidarismo, autorizando a criação de novos partidos, como o Partido dos Trabalhadores e o Partido Democrático Trabalhista. Enfrentou oposição crescente, greves operárias e o movimento das Diretas Já, que mobilizou milhões por eleições presidenciais diretas.
Crise econômica e tensões políticas
Seu governo foi abalado por inflação galopante — que chegou a ultrapassar 200% em 1985 — e pela recessão decorrente da crise do petróleo. Casos como o Atentado do Riocentro (1981) revelaram divisões internas nas Forças Armadas. Apesar do autoritarismo pessoal e de frases polêmicas, como “prefiro o cheiro de cavalo ao do povo”, Figueiredo acabou conduzindo o país à eleição indireta de Tancredo Neves, encerrando o ciclo militar.
Últimos anos e legado
Após deixar o poder, retirou-se da vida pública e enfrentou sérios problemas de saúde até falecer em 1999. Sua gestão é lembrada como o elo entre o autoritarismo e a redemocratização do Brasil — uma transição tensa, porém decisiva para o restabelecimento do regime civil.
