João Goulart (1918–1976), conhecido como “Jango”, foi um político brasileiro e presidente do Brasil entre 1961 e 1964. Herdeiro do trabalhismo de Getúlio Vargas, tentou implementar reformas sociais e econômicas que polarizaram o país e culminaram em sua deposição pelo golpe militar de 1964. Morreu no exílio na Argentina.
Início de carreira e ascensão política
Filho de um estancieiro gaúcho, Goulart formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1939. Tornou-se aliado próximo de Getúlio Vargas, que o nomeou ministro do Trabalho em 1953. Nessa função, buscou ampliar direitos trabalhistas, gerando resistência das elites e dos militares.
Vice-presidência e chegada ao poder
Goulart foi vice-presidente nos governos de Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Após a renúncia de Quadros, assumiu a presidência em 1961, em meio à oposição militar que forçou a adoção temporária do parlamentarismo. Com o plebiscito de 1963, o presidencialismo foi restaurado e Goulart retomou plenos poderes.
Governo e reformas de base
Seu governo ficou marcado pela defesa das “Reformas de Base”, conjunto de propostas de modernização agrária, educacional e urbana voltadas à redistribuição de renda e à soberania nacional. As medidas, vistas por setores conservadores como socialistas, acirraram a polarização política e a tensão com os Estados Unidos.
Golpe de 1964 e exílio
Em 1º de abril de 1964, Jango foi deposto por um movimento civil-militar apoiado por setores empresariais e norte-americanos. Exilou-se no Uruguai e depois na Argentina, onde morreu em 1976, oficialmente de ataque cardíaco, embora sua morte tenha sido alvo de suspeitas de envenenamento. Em 2014, seus restos mortais foram exumados, sem conclusão definitiva sobre a causa.
Legado
João Goulart é lembrado como o último presidente antes da ditadura militar (1964–1985) e símbolo das tentativas frustradas de realizar reformas estruturais no Brasil democrático do pós-guerra.
