José Maria Mayrink (1938–2020) foi um jornalista e escritor brasileiro, reconhecido por sua atuação ética e sensível em mais de meio século de carreira. Católico e ex-seminarista, tornou-se referência na cobertura de temas religiosos e políticos, destacando-se no jornal O Estado de S. Paulo, onde trabalhou por décadas.
Trajetória profissional
Mayrink iniciou a carreira em 1961, após deixar o seminário, colaborando com o Jornal do Povo de Ponte Nova. Passou por veículos como Correio de Minas, O Globo, Jornal do Brasil e Veja, até consolidar-se no Grupo Estado. Cobriu marcos históricos, como o golpe militar no Chile (1973) e o assassinato de Carlos Marighella (1969). Foi o primeiro repórter a chegar ao local da morte do militante.
Jornalismo e fé
A proximidade com temas da Igreja Católica marcou sua obra. Entrevistou o arcebispo salvadorenho Óscar Romero dias antes de seu assassinato e acompanhou sua canonização em 2018, relatando o episódio em “Eu entrevistei um santo”. Sua cobertura das Assembleias da CNBB tornou-se referência pelo rigor e respeito às fontes.
Produção literária
Autor de obras que aliam jornalismo e humanismo, como Anjos de Barro (1986) — prefaciado por Henfil — e Solidão, que retrata a vida de personagens esquecidos nas metrópoles. Em Mordaça no Estadão, documentou a censura imposta à imprensa durante a ditadura.
Legado
Mayrink foi descrito por colegas e líderes religiosos como um “homem de virtudes” e símbolo do jornalismo ético e empático. Deixou esposa, quatro filhas e um legado de integridade e fé, sendo homenageado por suas seis décadas dedicadas à reportagem.
