Leonel de Moura Brizola (1922–2004) foi um político brasileiro de orientação trabalhista e nacionalista. Duas vezes governador do Rio de Janeiro e também do Rio Grande do Sul, marcou a história pela defesa da legalidade democrática e pelas políticas voltadas à educação pública e à justiça social.
Trajetória e ideais
Engenheiro de formação, iniciou-se na política pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) nos anos 1940, elegendo-se deputado estadual e, em 1955, prefeito de Porto Alegre. Ganhou projeção nacional ao liderar, em 1961, a Cadeia da Legalidade, movimento que garantiu a posse constitucional de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros. Como governador do Rio Grande do Sul, promoveu a estatização de companhias estrangeiras de energia e telefonia, gesto que consolidou sua imagem de nacionalista combativo.
Exílio e retorno
Cassado após o golpe militar de 1964, viveu 15 anos de exílio, principalmente no Uruguai. De volta com a anistia de 1979, não conseguiu recuperar a sigla do PTB e fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Elegeu-se governador do Rio de Janeiro em 1982, nas primeiras eleições diretas do período de redemocratização.
Governo do Rio e legado
Nos mandatos fluminenses, priorizou a educação pública com a construção de centenas de CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública), concebidos por Oscar Niemeyer, e criou o Sambódromo da Marquês de Sapucaí. Embora sua gestão tenha enfrentado críticas quanto à segurança pública, Brizola consolidou a imagem de governante voltado aos pobres e à autonomia estadual.
Últimos anos e reconhecimento
Candidatou-se à Presidência em 1989 e 1994, sem êxito, e foi vice de Luiz Inácio Lula da Silva em 1998. Faleceu em 2004, sendo homenageado pela Internacional Socialista, da qual era presidente honorário. Brizola permanece símbolo do trabalhismo e da resistência democrática no Brasil.
