Miguel Arraes de Alencar (1916–2005) foi um advogado, economista e político brasileiro, três vezes governador de Pernambuco e símbolo da esquerda nacional. Sua trajetória marcou a resistência democrática ao golpe de 1964 e a defesa de políticas voltadas aos trabalhadores rurais e às classes populares.
Trajetória e primeiros cargos
Arraes iniciou a carreira no Instituto do Açúcar e do Álcool, tornando-se secretário da Fazenda de Pernambuco em 1947. Eleito deputado estadual (1950) e prefeito do Recife em 1959, implantou programas de urbanização e educação popular, como o Movimento de Cultura Popular, que envolveu intelectuais como Ariano Suassuna e Paulo Freire.
Governo e exílio
Governador eleito em 1962, priorizou a valorização dos trabalhadores rurais, apoiando as Ligas Camponesas e garantindo o salário mínimo no campo. Deposto após o golpe militar de 1964, recusou-se a renunciar e foi preso em Fernando de Noronha. Exilado na Argélia por 14 anos, regressou ao Brasil com a anistia de 1979, tornando-se um dos fundadores do Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
Retorno e legado político
De volta à vida pública, foi o deputado mais votado do Nordeste em 1982 e governador novamente em 1986 e 1994, já filiado ao Partido Socialista Brasileiro, que presidiu. Seus programas sociais, como o “Chapéu de Palha” e “Água na Roça”, fortaleceram sua imagem de defensor dos pobres e trabalhadores.
Legado e memória
Chamado popularmente de “Pai Arraia”, Arraes tornou-se ícone da política popular nordestina e referência moral da esquerda brasileira. Em 2025, uma exposição no Museu Cais do Sertão celebrará o vigésimo aniversário de sua morte, explorando seu legado político e cultural.
