Millôr Fernandes (1923–2012) foi um escritor, humorista, desenhista, dramaturgo, tradutor e jornalista brasileiro. Autodidata e multifacetado, tornou-se uma das vozes mais afiadas e independentes da cultura nacional, reconhecido por seu humor crítico e pela defesa da liberdade de expressão durante a ditadura militar.
Início e formação
Órfão na infância, Millôr iniciou cedo no jornalismo. Aos 15 anos, ingressou na revista O Cruzeiro, onde assinou com o pseudônimo “Vão Gôgo” e depois criou a coluna O Pif-Paf, um marco do humor gráfico e literário brasileiro. Sua primeira obra, Eva sem costela (1946), já revelava o estilo satírico e provocador que o acompanharia por toda a vida.
Teatro e humor crítico
Nos anos 1950 e 1960, destacou-se como dramaturgo com peças como Uma mulher em três atos, Um elefante no caos e, sobretudo, Liberdade, liberdade, símbolo do teatro de resistência política. Fundador de O Pasquim (1969), participou ativamente da imprensa alternativa contra a censura e o autoritarismo, consolidando-se como um intelectual independente e contestador.
Traduções e estilo literário
Tradutor de autores como Shakespeare, Brecht e Tennessee Williams, Millôr modernizou a tradução teatral no Brasil com irreverência e precisão. Sua escrita, permeada por aforismos e trocadilhos, combinava humor, filosofia e crítica social. Frases como “Todo homem nasce original e morre plágio” ilustram sua visão aguda da condição humana.
Legado e influência
Ao longo de mais de seis décadas, Millôr Fernandes publicou mais de 40 livros, entre crônicas, fábulas e coletâneas de pensamentos. Sua independência intelectual, humor corrosivo e defesa da lucidez crítica influenciaram gerações de escritores, cartunistas e jornalistas. Continua lembrado como um dos maiores humanistas e iconoclastas da cultura brasileira.
