Milton Santos (1926–2001) foi um geógrafo, intelectual e professor brasileiro, reconhecido internacionalmente como um dos principais teóricos da geografia crítica. Suas obras analisaram a urbanização, a globalização e as desigualdades sociais, redefinindo a compreensão do espaço geográfico como produto das relações humanas e econômicas.
Trajetória e exílio
Filho de professores, iniciou a carreira docente na Bahia. Preso após o golpe militar de 1964, foi forçado ao exílio e lecionou em universidades da França, Estados Unidos, Canadá, Venezuela e Tanzânia. Nesse período, publicou Les Villes du Tiers Monde e L’Espace Partagé, obras fundamentais para a formulação da teoria dos “dois circuitos da economia urbana”, que distingue o circuito superior (moderno) do inferior (popular) .
Retorno e consolidação na USP
De volta ao Brasil em 1977, tornou-se professor titular de Geografia Humana na Universidade de São Paulo, onde consolidou a geografia crítica no país. Em livros como Por uma Geografia Nova (1978) e A Natureza do Espaço (1996), defendeu o espaço como instância social ativa e introduziu conceitos como o “meio técnico-científico-informacional”, relacionando técnica, tempo e território .
Pensamento e crítica à globalização
Santos foi um dos primeiros intelectuais a oferecer uma análise crítica da globalização, denunciando seu caráter excludente e propondo uma “outra globalização”, baseada na solidariedade e nas necessidades das populações periféricas. Seu olhar partia do Sul Global e enfatizava a centralidade do ser humano sobre o capital .
Legado
Com mais de 40 livros e centenas de artigos, Milton Santos permanece referência mundial na geografia e nas ciências sociais. Seu pensamento inspira pesquisas sobre desigualdade, cidadania e o papel transformador do território no século XXI .
