Mino Carta (1933–2025) foi um jornalista ítalo-brasileiro cuja trajetória marcou profundamente a imprensa do Brasil. Fundador e diretor da revista CartaCapital, ele também esteve à frente de veículos icônicos como Veja, IstoÉ, Quatro Rodas e o Jornal da Tarde. Admirado por sua postura crítica e independência editorial, tornou-se símbolo do jornalismo ético e combativo no país.
Carreira e legado
Após mudar-se com a família para São Paulo em 1946, Mino iniciou a carreira aos 16 anos escrevendo para jornais italianos. A convite de Victor Civita, dirigiu a revista Quatro Rodas (1960) e, mais tarde, participou da fundação do Jornal da Tarde (1966). Criou a Veja (1968) e a IstoÉ (1976), publicações que renovaram o jornalismo nacional em plena ditadura militar.
Em 1994, lançou CartaCapital, considerada sua obra editorial mais fiel a seus ideais de “verdade factual, espírito crítico e fiscalização do poder”. A revista tornou-se referência de jornalismo progressista e de resistência à concentração midiática.
Estilo e pensamento
Carta era conhecido pelo rigor intelectual e por sua aversão à superficialidade. Mantinha a escrita em máquinas Olivetti e criticava a influência das redes sociais e da tecnologia sobre a profissão, afirmando que “os computadores vão engolir as pessoas”. Seu trabalho influenciou gerações de jornalistas e pautou debates políticos centrais da democracia brasileira.
Vida pessoal e reconhecimentos
Casado com Maria Angélica Pressoto (falecida em 1996), teve dois filhos, Gianni (também jornalista, falecido em 2019) e Manuela Carta. Seu falecimento em 2025, aos 91 anos, motivou homenagens nacionais e luto oficial decretado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o descreveu como “verdadeiro humanista”.
