Narciso Kalili (1936–1992) foi um jornalista e roteirista brasileiro, reconhecido por seu papel inovador na imprensa durante os anos 1960 e 1970. Figura central da geração da revista Realidade, destacou-se pela ousadia e engajamento político em meio à ditadura militar, defendendo um jornalismo literário, crítico e humanista.
Carreira e impacto
Kalili iniciou a carreira em Última Hora, tornando-se chefe de reportagem. Foi um dos principais nomes da Realidade, revista da Editora Abril que revolucionou o jornalismo com reportagens longas e literárias sobre temas sociais e políticos. Em 1967, protagonizou a série sobre racismo no Brasil, escrita com Odacir de Mattos e fotografada por Luigi Mamprin — um marco do jornalismo experimental da época.
Resistência e ditadura
Durante o regime militar, defendeu a liberdade de imprensa e ajudou a fundar a editora independente Arte & Comunicação, que publicou o jornal O Bondinho e a revista O Grilo. Foi preso pela Operação Bandeirante, mas continuou atuando contra a censura. Nos anos 1980, dirigiu o programa Fantástico em São Paulo e depois a Abril Vídeo, onde incentivou jovens como Marcelo Tas e Fernando Meirelles.
Legado
Kalili é lembrado por seu compromisso ético e por dar voz aos marginalizados. A redação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo leva seu nome, e sua trajetória é símbolo de coragem e inovação na imprensa brasileira.
