Nelson Rodrigues (1912–1980) foi dramaturgo, jornalista, cronista e romancista brasileiro. Considerado o principal modernizador do teatro nacional, retratou com ironia e crueza a hipocrisia e as tensões morais da classe média urbana. Suas obras polêmicas abordam temas como adultério, incesto e repressão social.
Trajetória
Filho do jornalista Mário Rodrigues, iniciou-se na imprensa aos 13 anos no jornal A Manhã. Testemunhou tragédias familiares que marcaram seu imaginário e inspiraram sua escrita. Na década de 1940, alcançou fama com Vestido de Noiva, encenada por Ziembinski, que revolucionou o teatro brasileiro ao articular planos de realidade, memória e alucinação. Além do teatro, escreveu romances folhetinescos e crônicas célebres sobre costumes e futebol, como na série A Vida como Ela É... .
Obra e estilo
Suas peças se dividem em três grupos: psicológicas, como Vestido de Noiva; míticas, como Álbum de Família; e tragédias cariocas, entre elas A Falecida e Boca de Ouro. A linguagem coloquial, o humor mordaz e o mergulho na moralidade burguesa conferiram-lhe o epíteto de “anjo pornográfico”. Frases suas — “toda unanimidade é burra” e “óbvio ululante” — tornaram-se expressões populares .
Legado e recepção
Autor de 17 peças, Nelson Rodrigues consolidou o teatro psicológico no Brasil e influenciou gerações de dramaturgos e cineastas. Diversas obras, como O Beijo no Asfalto e Toda Nudez Será Castigada, foram adaptadas para cinema e televisão. Mesmo controverso por seu conservadorismo e apoio ao regime militar, permanece figura central da cultura brasileira, com montagens e homenagens contínuas por instituições como a Funarte .
