Perseu Abramo (1929–1996) foi um jornalista, professor universitário e militante político brasileiro, nascido em São Paulo. Reconhecido por sua atuação crítica na imprensa e pela defesa da liberdade de expressão, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e inspirou a criação da Fundação Perseu Abramo, dedicada à formação política e à reflexão social.
Trajetória no jornalismo
Abramo iniciou a carreira em 1946, como revisor no Jornal de São Paulo. Trabalhou em veículos como O Estado de S. Paulo, onde chefiou a equipe que cobriu a inauguração de Brasília, e na Folha de S. Paulo, onde criou e dirigiu a editoria de Educação, referência na imprensa da época. Lecionou técnicas jornalísticas na Faculdade Cásper Líbero e foi professor na PUC-SP até 1996.
Pensamento e crítica da mídia
Abramo se destacou pela análise do papel da imprensa na formação da opinião pública. Seu ensaio “Padrões de Manipulação na Grande Imprensa” tornou-se um marco na crítica de mídia brasileira, identificando mecanismos sutis de distorção informativa ainda debatidos nas ciências da comunicação contemporâneas. Sua obra inspira estudos sobre ética jornalística e desinformação, especialmente frente ao fenômeno das fake news.
Atuação política e acadêmica
Durante a ditadura militar, foi professor na Universidade de Brasília, de onde foi afastado após a invasão do campus em 1964. Militante ativo desde a juventude, integrou o Partido Socialista Brasileiro e depois ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores, participando da elaboração de seus documentos fundamentais. Também contribuiu para o movimento sindical dos jornalistas e foi um dos idealizadores do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.
Legado
Após sua morte, a Fundação Perseu Abramo foi criada em sua homenagem, consolidando seu papel como referência intelectual da esquerda brasileira. Suas obras, como Um Trabalhador da Notícia (1997) e Padrões de Manipulação na Grande Imprensa, seguem amplamente estudadas e publicadas.
