Raimundo Rodrigues Pereira (1940–2026) foi um jornalista brasileiro, nascido em Exu (PE), reconhecido como uma das figuras centrais da imprensa alternativa durante a ditadura militar. Sua atuação foi marcada pela defesa da democracia, do jornalismo independente e do direito à informação crítica.
Primeiros anos e formação
Expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1964 por perseguição política, chegou a ser preso durante o regime militar. Formou-se em Física pela Universidade de São Paulo e iniciou carreira jornalística em publicações técnicas, antes de alcançar projeção nacional em revistas como Realidade e Veja, onde assinou reportagens de grande impacto social e político.
Imprensa alternativa e resistência
Nos anos 1970, foi editor do jornal Opinião e, em 1975, fundou o semanário Movimento, que se tornou referência da imprensa alternativa. O periódico, gerido coletivamente por jornalistas, enfrentou censura e dificuldades financeiras, mas destacou-se na denúncia de abusos da ditadura e na cobertura das greves do ABC paulista, lideradas por Luiz Inácio Lula da Silva.
Pós-ditadura e projetos editoriais
Com a redemocratização, criou Retrato do Brasil (1988), voltado à análise crítica da realidade nacional. Na Editora Manifesto, publicou livros e revistas com enfoque em temas políticos como a Operação Satiagraha, o mensalão e o impeachment de Dilma Rousseff, sempre sob perspectiva investigativa e contra-hegemônica.
Legado e reconhecimento
A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) destacou seu papel na “construção de uma narrativa crítica em defesa da democracia”. Foi lembrado por colegas e autoridades, inclusive pelo presidente Lula, como exemplo de integridade, independência e compromisso ético com o jornalismo e com o Brasil democrático.
