Rogéria (1943–2017), nascida Astolfo Barroso Pinto, foi uma atriz, cantora e vedete brasileira, considerada pioneira do transformismo no país. Conhecida como “a travesti da família brasileira”, tornou-se símbolo de talento, irreverência e resistência na televisão, no teatro e no cinema.
Início e ascensão artística
Rogéria começou como maquiadora na TV Rio, nos anos 1960, convivendo com artistas como Fernanda Montenegro e Elis Regina. A estreia pública como transformista ocorreu em um concurso de fantasias em 1964, quando o público a batizou de “Rogéria”. A partir daí, integrou shows de teatro de revista e tornou-se vedete de Carlos Machado, o “Rei da Noite” .
Carreira na televisão e no teatro
Nos anos 1980 e 1990, conquistou popularidade como jurada em programas de auditório de Chacrinha e Luciano Huck. Como atriz, destacou-se em novelas e séries como Tieta, Paraíso Tropical, Duas Caras, Lado a Lado e Babilônia. No teatro, ganhou o Troféu Mambembe por O Desembestado, com Grande Otelo .
Cinema e legado
No cinema, atuou em produções como O Homem que Comprou o Mundo (1968) e Copacabana (2001), encerrando a carreira com o documentário Divinas Divas (2016), de Leandra Leal. Sua trajetória inspirou o filme Rogéria, Senhor Astolfo Barroso Pinto (2018), que celebra sua importância como figura libertária e precursora da visibilidade LGBTQIA+ .
Personalidade e impacto cultural
Rogéria manteve uma imagem de elegância, humor e autenticidade, sem abrir mão de suas origens e identidade. Rejeitava rótulos, afirmando ser “Astolfo e Rogéria em um só”, e foi reconhecida como um marco da diversidade e da liberdade de expressão artística no Brasil .
