Rose Marie Muraro (1930–2014) foi uma escritora, editora, física e intelectual brasileira reconhecida como uma das pioneiras do feminismo no país. Considerada a “patrona do feminismo brasileiro” por lei federal de 2005, atuou por mais de seis décadas na defesa dos direitos das mulheres, da justiça social e da teologia da libertação.
Trajetória intelectual e militância
Nascida quase cega, Muraro estudou física e economia antes de se dedicar à escrita e à edição. Trabalhou na Editora Vozes, onde publicou autores ligados à Teologia da Libertação, em parceria com o teólogo Leonardo Boff. Desde os anos 1960, foi voz influente na luta contra o autoritarismo e pela emancipação feminina, enfrentando censura durante o regime militar.
Obras e pensamento
Seu livro Sexualidade da Mulher Brasileira tornou-se referência ao discutir a relação entre gênero, corpo e classe social no Brasil. Outras obras, como Libertação Sexual da Mulher (1975) e A Erótica Cristã (1986), questionaram dogmas religiosos e sociais. Muraro defendia que a transformação da condição feminina seria base para o avanço dos direitos humanos.
Legado e homenagens
Além de integrar o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher desde 1985, Muraro fundou o Instituto Cultural Rose Marie Muraro e foi uma das instituidoras do Fundo Brasil de Direitos Humanos. Após sua morte, o governo federal instituiu um prêmio com seu nome para homenagear feministas históricas. Sua trajetória continua sendo celebrada como símbolo de coragem intelectual e compromisso com a igualdade de gênero.
