Ruth Corrêa Leite Cardoso (1930–2008) foi uma antropóloga, professora e ativista social brasileira. Primeira-dama entre 1995 e 2002, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, destacou-se por unir vida acadêmica e ação pública, reformulando o papel da esposa presidencial no país.
Trajetória acadêmica e intelectual
Graduada e doutora pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, Ruth Cardoso foi pioneira na antropologia urbana e na análise dos “novos movimentos sociais”. Atuou no exílio no Chile após o golpe de 1964, lecionando na Flacso, e ao retornar cofundou o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, núcleo decisivo da pesquisa social brasileira. Sua obra “Sociedade e poder: representações dos favelados de São Paulo” (1978) tornou-se referência nos estudos sobre desigualdade urbana.
Atuação pública e inovação social
Como primeira-dama, transformou o campo social ao criar o programa Comunidade Solidária, que articulava Estado, empresas e sociedade civil. O modelo influenciou políticas como o Bolsa Escola e a ampliação do terceiro setor no Brasil. Também presidiu o conselho do Banco Interamericano de Desenvolvimento sobre Mulher e Desenvolvimento e integrou a Organização Internacional do Trabalho em temas de globalização social.
Legado e reconhecimento
Respeitada por sua integridade e independência intelectual, Ruth Cardoso redefiniu o papel de intelectuais e mulheres na vida pública. Seu legado acadêmico e institucional inspira pesquisadores e organizações voltadas à cidadania, voluntariado e equidade. Após sua morte, foi homenageada por entidades como o Supremo Tribunal Federal e a Fundação Fernando Henrique Cardoso, consolidando-se como figura central na modernização das políticas sociais brasileiras.
