Sérgio Ricardo (nascido João Lutfi; 18 de junho de 1932 – 23 de julho de 2020) foi cantor, compositor, maestro, cineasta e ator brasileiro. Figura central na Bossa Nova e no Cinema Novo, destacou-se pela fusão entre engajamento político e lirismo popular em suas obras, tornando-se referência da cultura brasileira do século XX.
Início e formação
Filho de imigrantes sírios, iniciou-se no piano e teoria musical ainda criança no Conservatório de Marília. Aos 17 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como pianista e locutor de rádio, integrando-se ao círculo que originaria a Bossa Nova, ao lado de Tom Jobim e João Gilberto.
Carreira musical
Seu primeiro álbum, A Bossa Romântica de Sérgio Ricardo (1960), marcou sua entrada na música popular. Canções como “Zelão”, “Pernas” e “Beto Bom de Bola” tornaram-se clássicos. No III Festival de Música Popular Brasileira (1967), após vaias do público, quebrou o violão no palco — gesto emblemático da tensão cultural da época.
Cinema e engajamento
Entre 1960 e 1970 dirigiu Êsse Mundo é Meu (1964), Juliana do Amor Perdido (1970) e A Noite do Espantalho (1974). Como compositor, criou trilhas para obras de Glauber Rocha, como Deus e o Diabo na Terra do Sol e Terra em Transe. Seu cinema e sua música combinavam crítica social, poética popular e experimentação estética.
Últimos anos e legado
Residente do Morro do Vidigal, manteve envolvimento comunitário e lançou o filme Bandeira de Retalhos (2018), sobre a resistência local à remoção de favelas. Faleceu aos 88 anos, vítima de insuficiência cardíaca. Sérgio Ricardo é lembrado como artista múltiplo, símbolo de coerência ética e inventividade na cultura brasileira.
