Tancredo de Almeida Neves (1910–1985) foi um político brasileiro cuja eleição à Presidência da República marcou o fim do regime militar iniciado em 1964. Embora tenha morrido antes da posse, tornou-se símbolo da redemocratização e da transição pacífica para o governo civil no Brasil.
Início de carreira e governos Vargas e Goulart
Neves iniciou a vida pública como vereador em 1935 e teve o mandato cassado pelo Estado Novo. Filiado ao Partido Social Democrático (PSD), foi deputado estadual e federal. No segundo governo de Getúlio Vargas, atuou como ministro da Justiça durante a crise que culminou no suicídio do presidente. Em 1961, foi nomeado primeiro-ministro no breve período parlamentarista do governo de João Goulart, demonstrando habilidade conciliadora em momentos críticos.
Atuação na oposição à ditadura
Durante o regime militar, Neves filiou-se ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), liderando a ala moderada da oposição. Foi deputado por várias legislaturas e eleito senador em 1978. Defendia uma “distensão lenta e gradual” e a anistia ampla, preparando o terreno para a abertura política.
Eleição e morte em 1985
Como governador de Minas Gerais, articulou a Aliança Democrática — união entre o Partido do Movimento Democrático Brasileiro e dissidentes do Partido Democrático Social — que o elegeu presidente em 1985 com 480 votos contra 180 de Paulo Maluf. Gravemente enfermo na véspera da posse, morreu em 21 de abril, antes de assumir o cargo. Seu vice, José Sarney, tornou-se presidente.
Legado
Tancredo Neves é lembrado como figura central da redemocratização brasileira. Sua trajetória conciliadora e sua morte às vésperas da posse o transformaram em símbolo de esperança e de transição pacífica, inaugurando o período conhecido como Nova República.
