Tarcísio Holanda (1937–2020) foi um jornalista brasileiro reconhecido por sua atuação nas redações mais importantes do país, especialmente durante o período da ditadura militar. Com estilo investigativo e forte rede de fontes políticas e militares, tornou-se uma referência no jornalismo político e de bastidores em Brasília e no Rio de Janeiro.
Carreira e trajetória
Iniciou a carreira no Ceará, passando por pequenos jornais antes de se mudar para o Rio de Janeiro, seguindo o chamado “ciclo da jangada”, caminho percorrido por jornalistas nordestinos em busca de maiores oportunidades. No Jornal do Brasil, destacou-se na editoria de Política, cobrindo com profundidade o regime militar e temas sensíveis à censura.
Destaques durante a ditadura
Durante os anos de chumbo, Tarcísio se tornou conhecido pela coragem e rigor profissional. Foi ele quem intermediou comunicações delicadas entre o Jornal do Brasil e autoridades militares após o sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, em 1969. Também apurou detalhes sobre a morte do ex-deputado Rubens Paiva, tornando-se fonte de referência para o jornalismo investigativo brasileiro.
Contribuições à televisão
Na televisão, participou do programa Abertura, símbolo da redemocratização, e criou o Telemanhã na TV Brasília, ligado à Rede Manchete, além de mais tarde atuar na TV Câmara. Era conhecido pelo ritmo intenso de trabalho e pela generosidade com jornalistas iniciantes.
Legado
Tarcísio Holanda deixou uma marca de ética, coragem e dedicação ao ofício, sendo lembrado como um dos repórteres mais bem informados de sua geração e um mestre das redações brasileiras.
