José Dias Nunes (1934–1993), conhecido artisticamente como Tião Carreiro, foi cantor, compositor e violeiro brasileiro, considerado o criador do pagode de viola — um dos estilos mais marcantes da música sertaneja de raiz. É lembrado como “O Rei do Pagode” e figura central na história da viola caipira brasileira.
Trajetória e estilo
Filho de lavradores, Tião aprendeu a tocar viola ainda criança enquanto ajudava o pai na roça. Iniciou carreira em circos do interior paulista e, após várias formações de duplas sob diferentes nomes artísticos, encontrou seu parceiro definitivo, Pardinho, nos anos 1950. Com ele, gravou dezenas de discos e popularizou a batida conhecida como pagode de viola, que mistura influências do coco e do calango de roda.
Sucessos e legado
Entre suas composições consagradas estão Rio de Lágrimas (Rio de Piracicaba), Pagode em Brasília, Amargurado e A Viola e o Violeiro. O virtuosismo técnico e a autenticidade rural de Tião inspiraram gerações de violeiros como Almir Sater e Renato Teixeira. Gravou mais de 45 discos e participou do filme Sertão em Festa, de Oswaldo de Oliveira.
Últimos anos e homenagens
Mesmo debilitado pela diabetes, manteve agenda ativa até pouco antes da morte. Após seu falecimento, recebeu tributos em festivais e prêmios, como o Prêmio Nacional Tião Carreiro de Excelência da Viola Caipira, criado em 2003. Seu túmulo no Cemitério da Lapa, em São Paulo, tornou-se ponto de visitação para admiradores da música sertaneja de raiz.
