Vladimir Herzog (1937–1975) foi um jornalista, professor e cineasta brasileiro, símbolo da resistência democrática contra a ditadura militar. Diretor de jornalismo da TV Cultura, foi assassinado sob tortura nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo, em 25 de outubro de 1975, tornando-se um mártir da liberdade de imprensa e dos direitos humanos.
Vida e carreira
De origem judaica, Herzog imigrou com a família para o Brasil em 1946, fugindo do nazismo e do fascismo europeus. Graduou-se em Filosofia pela Universidade de São Paulo e trabalhou em veículos como O Estado de S. Paulo e na BBC de Londres. Em 1975, exercia a direção de jornalismo da TV Cultura, quando passou a ser monitorado por órgãos repressivos por suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro.
Prisão e morte
Convocado a depor no DOI-CODI, apresentou-se voluntariamente e foi preso, torturado e morto no mesmo dia. O regime alegou suicídio, divulgando uma foto forjada, mas investigações posteriores comprovaram o assassinato. A missa ecumênica em sua homenagem na Catedral da Sé reuniu milhares e tornou-se o primeiro grande protesto público contra a ditadura após o AI-5.
Reconhecimento e impacto
Em 1978, a Justiça brasileira responsabilizou a União por sua morte. Em 2018, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil por crimes contra a humanidade no caso. O governo federal reconheceu oficialmente sua responsabilidade e indenizou a família em 2025, reafirmando o compromisso com a democracia.
Legado e memória
Herzog tornou-se símbolo permanente da luta por justiça e liberdade no país. O Prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos, criado em 1979, celebra profissionais que defendem a democracia e os direitos fundamentais. Cinquenta anos após sua morte, em 2025, cerimônias e eventos acadêmicos relembraram sua importância histórica e moral para a sociedade brasileira.
