
Ficha técnica
Sinopse de Fogo Sobre Terra
A história completa da novela de 1974.
Os "intrusos" vindos da cidade grande chegam à pacata Divineia, no interior do Mato Grosso, com uma missão: desviar o curso do rio Jurapori, que atravessa o povoado, e construir uma hidrelétrica. A consequência seria o desaparecimento de Divineia, submersa pelas águas. À frente da equipe de técnicos encarregada da obra está Diogo Gonzaga Soares, um dos mais interessados no progresso que a barragem trará à região.
O irmão de Diogo, Pedro Azulão, é um morador conhecido da cidadezinha, respeitado e admirado pela população, e não aceita que o progresso se imponha em prejuízo da natureza. Os dois cresceram separados: ao perderem os pais em um desastre, Pedro ficou com a tia Nara e o beato Juliano, enquanto Diogo foi para o Rio de Janeiro com o milionário Heitor Gonzaga Soares. E as complicações não paravam por aí.
Nara tivera com Gonzaga uma filha, Bárbara, criada pelo pai sem nunca saber quem era sua mãe. Moça rica e problemática, Bárbara chega a Divineia com Diogo e não compreende por que Nara está sempre por perto, com aquele jeito arredio de indígena, próprio da população local. A jovem sofre de crises nervosas que lhe causam cegueira momentânea, fruto do trauma de ter sido afastada da mãe.
Pedro e Diogo, além do conflito provocado pela hidrelétrica, passam a disputar o amor da indomável Chica Martins. A princípio namorada de Pedro, a moça, impulsiva e de temperamento ardente, acaba se rendendo a Diogo, encantada por seus modos finos e por sua condição social, tão diferentes do rústico Pedro. Este, por sua vez, arrebatado por Bárbara, liga-se cada vez mais a ela.
Enquanto isso, segue o embate entre o progresso desenfreado e a preservação da terra. Depois de tentar, em vão, convencer Diogo a desistir da usina, Pedro Azulão incita o povo de Divineia a pegar em armas em defesa do povoado. Mas, vítima de uma tocaia, ele é preso acusado de tentativa de homicídio. O líder camponês se livra das acusações e chega à conclusão de que é inútil resistir ao poder do progresso.
Como protesto final, Pedro decide se deixar tragar pelas águas. No último instante surge Bárbara, pedindo que ele deixe a casa onde se refugiara, pois espera um filho dele. A paternidade emociona Pedro, que sai feliz e não percebe que lá dentro ficou Nara, também decidida ao sacrifício final. Os diques se abrem, as águas invadem Divineia e Nara desaparece na enxurrada. E o progresso vence, enfim.
- núcleo de PEDRO AZULÃO (Juca de Oliveira), boiadeiro, criado no campo. Homem impulsivo, valente, religioso, com grande senso de justiça. Dono de quase todas as terras da região de Divineia, vive unicamente para cuidar da cidadezinha, sendo o líder do lugar. Tem um irmão que não vê há mais de vinte anos, pois foram separados na infância. Tenta, de todas as maneiras, evitar a construção de um canal que inundará seu povoado e o tirará do mapa, substituído por uma usina hidrelétrica:
a tia de criação NARA (Neuza Amaral), de origem indígena, mulher introspectiva, perspicaz e observadora. Sofre por nunca mais ter tido contato com a filha que lhe foi tirada dos braços ao nascer
o pai de criação BEATO JULIANO (Ênio Santos), piloto do avião acidentado no qual morreram seus pais biológicos. Por sentimento de culpa, dedicou-se à religião com fanatismo, abandonando a família na capital e assumindo a criação de Pedro, sendo seu mentor e cuidando dele como um pai.
- núcleo de DIOGO GONZAGA SOARES (Jardel Filho), engenheiro bem-sucedido, enérgico e dinâmico. Tem uma filha pequena. Sente-se culpado pela morte da mulher, que cometeu suicídio após a separação do casal. Irmão de Pedro Azulão, os dois foram separados na infância. Trabalha na construção da hidrelétrica que destruirá Divineia, entrando em choque com o irmão, que não via desde criança:
os pais adotivos: HEITOR GONZAGA SOARES (Jaime Barcelos), presidente da construtora responsável pela hidrelétrica que substituirá Divineia. No passado viveu naquela região e envolveu-se com Nara, com quem teve uma filha. Levou embora para o Rio de Janeiro a filha recém-nascida e Diogo, então criança, responsabilizando-se pela criação e educação dos dois,
e CELESTE (Gessy Fonseca), milionária, filha de família tradicional paulista. Mulher fina e viajada. Como não pôde ter filhos biológicos, apega-se em demasia aos que adotou
a irmã de criação BÁRBARA (Regina Duarte), filha biológica de Heitor e Nara. No passado, Heitor a tomou de Nara e a levou embora, para criá-la com a mulher, Celeste. Bárbara não conhece sua mãe biológica. Insegura e cheia de problemas existenciais, tem uma grande necessidade de afirmação. Vítima de uma cegueira psicológica, que a domina quando não consegue controlar uma crise nervosa. Apaixona-se por Pedro Azulão quando o conhece
a prima LISA (Aracy Cardoso), sobrinha de Celeste que o ama. Viúva, rica e fina. Médica psiquiatra, acompanha de perto as crises de Bárbara
a filha pequena VIVI (Rosana Garcia), menina esperta e voluntariosa
a secretária SUELI (Lurdinha Bittencourt)
os funcionários da casa: MOURA (Ivan de Almeida), mordomo, e ISOLINA (Pepa Ruiz), cozinheira e arrumadeira
a amiga de Celeste, HILDA MARIA (Mary Daniel).
- núcleo de CHICA MARTINS (Dina Sfat), namorada de infância de Pedro Azulão. Sem instrução, tem vergonha da origem humilde e odeia a pobreza e o próprio nome, por isso gosta de ser chamada de DÉBORA , por achar mais "chique". Exuberante, deslumbrada, impulsiva e de temperamento ardente, sonha em ser uma moça da cidade grande. Interessa-se por Diogo, quando ele chega a Divineia, prospectando a possibilidade de sair daquele lugar e ser rica na capital. Os dois irmãos passam a disputá-la, até Pedro conhecer Bárbara:
o pai ZÉ MARTINS (Gilberto Martinho), homem rude e agressivo. Já matou duas mulheres por ciúmes, em flagrantes de adultério, sempre absolvido por "legítima defesa da honra"
a irmã mais nova BRISA (Sônia Braga), ao contrário dela, é uma moça reservada e responsável. Filha exemplar, cuida do pai com devoção. Tímida, é dominada pela irmã mais velha, a quem admira
a nova madrasta TIANA (Léa Garcia), terceira mulher de Zé Martins.
- núcleo de ANDRÉ DE MELO (Marcos Paulo), engenheiro recém-formado, trabalha na construtora da família Gonzaga Soares. Rapaz de bom caráter, mas revoltado por o pai ter abandonado sua família quando era criança. Vai morar em Divineia por causa da construção da hidrelétrica, desconhecendo que o Beato Juliano é seu pai. Conhece e se apaixona pelo jeito simples de Brisa. Os dois se casam, mas passam por dificuldades por ela não se adaptar ao seu estilo de vida, achando-se caipira demais para o seu círculo social:
a ex-namorada JUDI (Monique Lafond), carioca de hábitos avançados, formando um contraponto com a caipirice de Brisa. Não aceita ter sido preterida e faz o possível para inviabilizar a relação de André e Brisa
a tia LOURDES (Cleyde Blota).
- núcleo de GUSTAVO LUCENA (Fúlvio Stefanini), advogado de caráter um tanto maleável. Amigo da família Gonzaga Soares, trabalha para a construtora. É apaixonado por Bárbara e deseja casar com ela a todo custo:
o avô DR. LUCENA (Antônio Victor), amigo pessoal de Gonzaga, seu comparsa e cúmplice: foram os responsáveis pelo desastre de avião que vitimou os pais biológicos de Diogo e Pedro.
- núcleo de NILO GATO (Edson França), nordestino, chega a Divineia para trabalhar na lavoura de erva-mate. Bom, puro e simples, revolta-se com o regime de trabalho da fazenda. Foge e passa a viver acuado, assaltando para comer:
a protetora SIÁ ISABEL (Lícia Magna), mulher amargurada, trabalha na lavoura de erva-mate. Perdeu um filho com vinte anos e transfere para Nilo o amor do filho falecido.
- núcleo de SALIM (Isaac Bardavid), mascate, chegou ao Brasil ainda menino, vindo da Síria. De boa lábia, engana a freguesia vendendo coisas usadas como novas. Contudo é um bom sujeito, gozador e falante. Quando fica nervoso, enrola a língua e xinga todo mundo em árabe:
a filha JAMILE (Tamara Taxman), boa moça, bonita e esperta. Leva as novidades de São Paulo para as moças de Divineia.
- núcleo de QUEBRA-GALHO (Germano Filho), como é conhecido EXPEDITO SANTOS DE MATOS . Ganhou o apelido pela magreza e cara de esfomeado e pelas várias profissões que exerce - retratista, bombeiro, mecânico, pedreiro - vivendo como pode. Tem dez filhos, cada um com um nome curioso:
a mulher IVONE (Darcy de Souza), a mártir personificada. Trabalha na lavoura de erva-mate
a filha mais velha ESTRADA DE FERRO (Françoise Forton), revolta-se com o pai que prometeu-lhe em casamento a um homem com posses
os demais filhos, crianças: ÔNIBUS (Ricardo Garcia), RODOVIÁRIA (Isabela Garcia), AEROPLANO , AUTOMÓVEL , ESCADA ROLANTE , ESTAÇÃO , PEDESTRE , TRATOR e TREM .
- demais personagens:
ARTHUR BRAGA (Herval Rossano), fazendeiro que cultiva erva-mate. Homem mau-caráter e déspota com seus empregados, a quem explora. Antagonista de Pedro Azulão, que não aceita suas imposições. Apoia a construção da hidrelétrica, já que sua fazenda está a salvo da inundação das águas e seria beneficiada. Deseja casar-se com Estrada de Ferro, mas ela o rejeita. Tem um caso com Tiana, sua funcionária, enganando-a com a promessa de casamento
TONHO MADEIRA (Dary Reis), farmacêutico e prefeito informal de Divineia. Bonachão, contador de histórias. Um dos fundadores do povoado
FRIDA (Ida Gomes), alemã, dona da única pousada de Divineia
AMADEU (José Miziara), assistente de André, técnico de engenharia de construções. Sujeito meio esquentado
SAUL (Roberto Bonfim), morador de Divineia, trabalha na lavoura de erva-mate, amigo de Pedro
NEVES (Edson Silva), morador de Divineia, trabalha na lavoura de erva-mate, amigo de Pedro
AMARO (Tony Ferreira), delegado de Pouso Velho, a cidade mais próxima a Divineia. Chamado com frequência para resolver casos policiais
CABO ANACLETO (Roberto Vieira), auxiliar do delegado Amaro.




