
Ficha técnica
Sinopse de O Bem-amado
A história completa da novela de 1973.
O prefeito Odorico Paraguaçu é um político demagogo e corrupto que, com seus discursos inflamados e cheios de palavras difíceis, engana o povo ingênuo da pequena Sucupira, no litoral baiano. A grande prioridade de sua gestão é inaugurar o cemitério local, alvo de críticas da oposição ao seu governo, encabeçada pela família Medrado, que controla a polícia da cidade, pelo dentista Lulu Gouveia e pelo jornalista Neco Pedreira, editor-chefe do jornal A Trombeta.
O braço direito de Odorico na prefeitura é seu secretário Dirceu Borboleta, um sujeito tímido, gago e atrapalhado, apaixonado por caçar lepidópteros. As maiores aliadas do prefeito são as irmãs Cajazeiras: Doroteia, Dulcineia e Judiceia. Solteironas e falsas beatas, cada uma mantém um caso secreto com Odorico, sem que uma saiba da outra. Até que Dulcineia engravida e o prefeito arma para que a paternidade do bebê recaia sobre o aéreo Dirceu.
De forma maquiavélica, Odorico planeja a morte de alguém na cidade para poder inaugurar o cemitério. Mas todas as tentativas dão errado. Nem as várias investidas de suicídio do depressivo farmacêutico Libório, todas fracassadas, nem o desejo de Zelão de voar como um pássaro (e a expectativa de que ele se espatife no chão), nem um tiroteio na praça, um crime e um moribundo da cidade vizinha lhe trazem a realização desse sonho.
Até que o prefeito tem a ideia de mandar buscar em Sucupira o famoso matador Zeca Diabo, para encomendar o serviço, não importa a vítima. Só que Odorico não imaginava que o assassino profissional, arrependido de seu passado de crimes, estivesse aposentado, preocupado apenas com a mãe velhinha, com a devoção ao Padre Cícero e com o sonho de se tornar cirurgião-dentista.
Odorico ainda tem de enfrentar o idealista médico Juarez Leão, empenhado na missão de salvar vidas. Abalado pelo trauma de ter perdido a esposa em suas próprias mãos durante uma cirurgia, o doutor bebe, mas faz um bom trabalho em Sucupira cuidando da saúde do povo - para o desespero do prefeito. Juarez conquista o coração de Telma, a temperamental filha de Odorico, que vive criticando os métodos do pai, desconfiada de que ele foi o responsável pela morte de sua mãe.
- núcleo de ODORICO PARAGUAÇU (Paulo Gracindo), dono de uma fazenda produtora de azeite de dendê, neto de Firmino Paraguaçu e filho do Coronel Eleutério Paraguaçu, família de tradição na região de Sucupira, no litoral baiano. Candidato a prefeito, adora discursos inflamados e verborrágicos abusando de retórica vazia repleta de palavras pomposas e neologismos absurdos. Demagogo, defende o moralismo, mas na verdade é imoral, lascivo e corrupto. Como não há um cemitério na cidade, o que obriga os moradores a enterrar seus mortos em municípios vizinhos, consegue se eleger com o slogan “Vote em um homem sério e ganhe um cemitério” . Porém, como ninguém morre para que sua obra maior seja inaugurada, arquiteta mil planos para arranjar um defunto, sem sucesso, o que o faz mandar vir à cidade um matador profissional:
a mulher falecida ROSA CAJAZEIRA PARAGUÇU (Geny do Amaral), do clã dos Cajazeiras, outra família importante da região. Sempre citada por ele como uma "santa", sabe que ela, na verdade, o traía
os filhos: TELMA (Sandra Bréa), moça temperamental, tem uma relação conflituosa com o pai, de altos e baixos, pois desconfia que ele seja responsável pelo padecimento de sua mãe no passado, o que a levou à morte,
e CECÉU (João Paulo Adour), rapaz irresponsável, inconsequente e agressivo, só arruma confusão. É um tipo problemático, também em relação conflituosa com o pai
a irmã ZORA (Ana Ariel), solteirona e carola, cuida da casa
o melhor amigo de Cecéu, NADINHO (Jorge Botelho), hippie inconsequente, aluado e boa-vida, foi namorado de Telma
o segurança e motorista QUELÉ (Eliezer Motta), fiel ao patrão, faz qualquer serviço sujo que ele ordena
a empregada BALBINA (Nair Prestes).
- núcleo de ZECA DIABO (Lima Duarte), conhecido cangaceiro, matador profissional que Odorico manda vir a Sucupira para que mate alguém e ele possa inaugurar seu cemitério. Temido, porém ingênuo e de impulsos generosos, está redimido e não quer mais matar ninguém. Temente a Padre Cícero, seu maior sonho é aprender a ler e escrever e tornar-se doutor cirurgião-dentista - ou, ao menos, protético. No final, acaba por matar o prefeito, que o traíra:
a mãe DONA HERMÍNIA (Carmem Célia), velha cega, meio surda e esclerosada. Acha que os filhos ainda são crianças
os irmãos: MESTRE AMBRÓSIO (Angelito Melo), velho pescador, homem correto e simples,
e JACIARA (Valéria Amar), por quem no passado ele começou a matar, para lavar sua honra, e acabou pegando gosto pela coisa. Hoje é prostituta, mas Zeca Diabo nem desconfia, enquanto Ambrósio sabe e a repudia
a sobrinha adolescente MARIANA (Tereza Cristina), filha do Mestre Ambrósio, bonita e ingênua
o filho que desconhecia, EUSTÓRGIO (João Carlos Barroso), orgulha-se de ser filho de matador e sonha seguir a profissão do pai, mesmo ele sendo contra. Envolve-se com a prima Mariana
a mãe de Eustórgio, MARIA DA PENHA (Guiomar Gonçalves), mulher ardilosa que procura Zeca Diabo quando descobre que ele está de volta, para apresentar-lhe o filho que ele desconhecia e para arrancar-lhe algum dinheiro.
- núcleo de DIRCEU BORBOLETA (Emiliano Queiroz), trabalha como telegrafista na agência dos correios e como secretário do prefeito. Fiel a Odorico, a quem trata como padrinho, mas tratado como um capacho por ele, pois é facilmente manipulável. Tímido, gago, desastrado e ingênuo, alterna ataques de euforia com momentos de mansidão ou catatonia. Profundo conhecedor dos lepidópteros, seu maior passatempo é caçar borboletas no mato:
a mãe DONA FLORZINHA (Suzy Arruda), mulher amável que superprotege o filho, mas totalmente abilolada e fora da realidade.
- núcleo das irmãs Cajazeiras, correligionárias de Odorico. Filhas de Isidoro Cajazeira, são primas de Rosa Cajazeira Paraguaçu, falecida mulher de Odorico. Solteironas e falsas carolas, são apaixonadas pelo prefeito, que mantem um caso secreto com cada uma delas, sem que uma desconfie da outra:
DOROTEIA (Ida Gomes), a mais velha, recalcada e geniosa. Líder na Câmara de Vereadores de Sucupira. Professora, tenta alfabetizar Zeca Diabo, por quem se apaixona,
DULCINEIA (Dorinha Duval), a do meio, mais romântica e submissa. Seduzida por Odorico, engravida e o prefeito força o seu casamento com Dirceu Borboleta, que assume a criança imaginando que seja seu filho. Acaba assassinada por Dirceu quando ele descobre, por meio de uma escuta no confessionário da igreja, que Odorico é o verdadeiro pai do bebê,
e JUDICEIA (Dirce Migliaccio), a caçula, a mais tagarela e nervosa. Seu maior sonho é se casar
o primo ERNESTO (André Valli), moribundo desenganado pelos médicos. Odorico manda buscá-lo na esperança de que morra em Sucupira, mas sobrevive. Envolve-se com Judiceia, que ajudou a cuidar dele, mas, descoberto que já tinha mulher e filhos, foge da cidade
o tio HILÁRIO (Álvaro Aguiar), mora em outra cidade, mas visita as sobrinhas regularmente. Volta a Sucupira com os filhos na guerra com uma família rival promovida por Odorico - outra tentativa de arrumar um defunto para seu cemitério
a tia COTINHA (Maria Teresa Barroso), mulher do Coronel Hilário
os primos TONICO e FABINHO , filhos de Hilário e Cotinha
o bebê de Dulcineia, JOSEMAR .
- núcleo de DONANA MEDRADO (Zilka Salaberry), mulher do delegado, assume seu posto extraoficialmente quando ele fica paraplégico. Mulher forte, destemida e valente. Do partido de oposição, é adversária política de Odorico, já que ele pertence à família Cajazeira, inimiga da sua (Odorico foi casado com uma Cajazeira). No passado, em um confronto entre os Medrados e os Cajazeiras, perdeu um filho, Quincas, e o marido ficou paraplégico:
o marido JOCA (Ferreira Leite), delegado de Sucupira, incapacitado de cumprir sua profissão por estar preso a uma cadeira de rodas, sequela da guerra entre os Medrados e os Cajazeiras. Ainda tem voz ativa e auxilia a mulher nas tomadas de decisão da delegacia e no partido opositor ao governo de Odorico
o filho mais velho EMILIANO (Rafael de Carvalho), vem a Sucupira quando é declarada uma nova guerra entre Medrados e Cajazeiras
os netos órfãos, filhos de Quincas Medrado, seu falecido filho: ANITA (Dilma Lóes), funcionária do posto dos Correios, moça bonita, de temperamento explosivo. Odeia os Cajazeiras e os Paraguaçus, pois perdeu o pai para eles
e CARLITO (Dartagnan Mello), rapaz metido a valente
o neto, filho de Emiliano, ROBERTO
o CABO ANANIAS (Augusto Olímpio), o faz-tudo na delegacia, um tipo medroso
a empregada CONCEIÇÃO .
- núcleo da partido opositor ao governo de Odorico, do qual os Medrados fazem parte:
o jornalista NECO PEDREIRA (Carlos Eduardo Dolabella), dono do jornal A Trombeta , no qual noticia as falcatruas do prefeito, a quem se refere como demagogo e esbanjador de dinheiro público. Ironicamente, fica noivo de Telma, a filha do prefeito, por quem é apaixonado - apesar de, no início, estar envolvido com Anita Medrado. A relação com Telma não vai longe, já que ela não o ama, o que o faz voltar com Anita
o dentista LULU GOUVEIA (Lutero Luiz), candidato a prefeito de Sucupira pela oposição. Zeca Diabo aproxima-se dele, pois acalenta o sonho de tornar-se cirurgião-dentista. Começa a ensinar o ofício de protético a Zeca Diabo
a mulher de Lulu, ANÁLIA (Maria Lygia).
- núcleo do Grande Hotel, o único de Sucupira, onde se hospedam turistas e alguns moradores:
JAIRO PORTELA (Gracindo Júnior), forasteiro carioca que vai morar em Sucupira. Vigarista e mau-caráter, abre uma companhia de pesca com a qual ludibria os pescadores. Em troca do direito de usufruir de saveiros (barcos para pesca), os pescadores são obrigados a lhe entregar todo o pescado por uma quantia irrisória, enquanto ele revende por preços mais altos
GISA (Maria Cláudia), mulher de Jairo. Bela e charmosa, ele a usa em seus golpes. Infeliz com os métodos do marido, que vive a ameaçá-la. Alvo do desejo e da paixão de Odorico. Após uma briga com o marido, o prefeito oferece sua casa para que ela passe uma temporada. Começa a se interessar pelos problema de Cecéu, com quem inicia um romance, para o desespero e ciúme de Odorico
JERUSA (Marta Anderson), cantora que chega a Sucupira para trabalhar na boate do hotel. Um tanto vulgar, tem um caso com Jairo
o recepcionista PLÁCIDO (Jorge Cândido)
o garçom do bar TONHO .
- demais moradores de Sucupira:
JUAREZ LEÃO (Jardel Filho), médico humanista e idealista que chega para trabalhar no único posto médico da cidade. Telma apaixona-se por ele, mas, a princípio, ele foge desse envolvimento. Principal suspeito do assassinato do médico Nésio Frota, em Salvador, que diagnosticara uma doença grave em sua mulher e foi morto no dia em que ela morreu. Não consegue superar a morte da mulher em uma cirurgia comandada por ele, por isso é um homem amargurado e revoltado, o que o leva a beber muito. Em Sucupira, isola-se em uma cabana próxima à praia, fazendo amizade com os pescadores. Torna-se inimigo de Odorico, já que salva vidas, o que é contrário ao desejo do prefeito.
LÚCIA LEÃO (Analy Alvarez), falecida mulher de Juarez que morreu durante uma cirurgia em que ele era o médico responsável. Aparece no retrato que ele carrega consigo e em cenas de flashback
ZELÃO DAS ASAS (Milton Gonçalves), simplório pescador que, após escapar de uma tormenta, tenta cumprir uma promessa feita a Iemanjá (ou Bom Jesus dos Navegantes, no catolicismo): voar do alto da torre da igreja para provar a sua fé. Constrói pares de asas feitas com pano, metal ou madeira e faz várias tentativas de alçar voo, sem sucesso. No último capítulo, consegue finalmente voar
CHIQUINHA DO PARTO (Ruth de Souza), mulher de Zelão, parteira da cidade e auxiliar do Dr. Juarez no posto médico
PADRE HONÓRIO , chamado apenas de VIGÁRIO (Rogério Fróes), pároco de Sucupira, aliado de Odorico, muitas vezes conivente com ele. Quando jovem, namorou Zora, irmã de Odorico
LIBÓRIO (Arnaldo Weiss), farmacêutico depressivo com tendências suicidas. Tenta se matar várias vezes, sem sucesso. O motivo é a aversão que sua mulher sente por ele
ODETE (Isolda Cresta), mulher de Libório. Vulgar, não gosta do marido, nem finge qualquer afeição. Sai de casa várias vezes, mas sempre retorna quando precisa de dinheiro
NEZINHO DO JEGUE (Wilson Aguiar), homem falastrão que vive a passear pela cidade com seu único ente querido: o jegue RODRIGUES . Quando está sóbrio, é defensor fervoroso de Odorico, mas quando bêbado, ataca o prefeito, xingando-o veementemente. Tem uma paixonite por Judiceia Cajazeira
MAESTRO SABIÁ (Apolo Corrêa), regente da Lira Sucupirana, a banda da cidade. Ajuda Nezinho a cortejar Judiceia, escrevendo e enviando-a cartas anônimas apaixonadas. Na verdade, ele mesmo está interessado na Cajazeira
TIÃO MOLEZA (Antônio Ganzarolli), sacristão da igreja e coveiro do cemitério. Sujeito preguiçoso e indolente. Prepara a cova todo dia, mas, como não morre ninguém, usa o local como dormitório
DON PEPITO (Juan Daniel), espanhol naturalizado brasileiro, dono do boteco e mercearia que é ponto de encontro dos moradores. Tem um relação misteriosa com Maria da Penha e suspeita-se que seja o verdadeiro pai de Eustórgio
DEMERVAL (Nanai), barbeiro da cidade, morre no decorrer da trama, mas Odorico não consegue enterrá-lo no cemitério, pois seus inimigos políticos levam o corpo para ser enterrado na cidade vizinha.


