
Ficha técnica
Sinopse de O Grito
A história completa da novela de 1975.
Projetado com requinte, o Edifício Paraíso, de dez andares mais cobertura, foi levantado no terreno de uma família quatrocentona no centro de São Paulo, mas se desvalorizou com a construção do Elevado Costa e Silva - o Minhocão -, que passa na altura dos dois primeiros andares. Os herdeiros, remanescentes de uma aristocracia soberba, moram na cobertura: o industrial Edgard, sua mulher, Mafalda, e a filha adolescente, Estela.
Para reduzir os prejuízos com o imóvel, Edgard transformou os apartamentos dos andares mais baixos em quitinetes, o que fez o prédio passar a ser ocupado por diferentes classes sociais. Os empregados domésticos e o zelador com sua família moram no térreo e no primeiro andar, enquanto as demais famílias, de classe média, vivem nos andares acima. Quanto mais alto, maior a classe social do morador.
Os condôminos, cada qual com seus dramas pessoais, são indiferentes aos problemas uns dos outros. Os moradores dos apartamentos mal se falam, mal se conhecem. Até que Paulinho, filho da ex-freira Marta, hoje viúva, se torna o estopim de um conflito. Ele é um menino doente, com deficiência intelectual, que grita de madrugada e atrapalha o sono e a tranquilidade dos moradores, que ficam divididos entre expulsar ou não a mãe e o filho do prédio.
A trama tem início com o sumiço do interceptador do edifício. Como o aparelho permite monitorar as ligações telefônicas, instala-se um clima de paranoia e desconfiança em todos. Vários moradores acabam denunciando pequenos delitos e desvios uns dos outros. Os dramas de cada um vão ficando cada vez mais expostos. É quando o delegado Sérgio passa a investigar os passos de cada morador.
O sequestro da adolescente Estela, filha de Edgard e Mafalda, e o agravamento das crises de Paulinho, somados ao roubo do interceptador, fazem com que os vizinhos se aproximem cada vez mais e se tornem mais tolerantes entre si. Sérgio, a princípio chamado para apurar um caso de contrabando no prédio, assume a investigação do sequestro e desvenda o crime graças à ajuda do ladrão do interceptador.
- núcleo de SÉRGIO (Ney Latorraca), delegado de polícia, encarregado do setor de contrabando. Instala-se em um pequeno apartamento em frente ao Edifício Paraíso para investigar possíveis integrantes de uma quadrilha. Vive atormentado pela morte da irmã, envolvida com drogas. Sua dedicação à profissão fez com que sua noiva o abandonasse, relegando-o a uma vida solitária. Ao longo da trama, encarrega-se também do sequestro de uma moradora do prédio:
a ex-noiva CLEIDE (Carmem Monegal, participação), que não compreendia sua dedicação excessiva ao trabalho. Abandonou-o por sentir-se preterida
os policiais GURGEL (Antônio Ganzarolli) e CAIO (Paulo Gonçalves), seus auxiliares nas investigações,
e GRANDALHÃO (Tony Ferreira), dono de lojas de fliperama, ajuda-o nas investigações.
- núcleo de EDGARD (Leonardo Villar), industrial, proprietário do Edifício Paraíso. Construiu o prédio no terreno pertencente à família de sua mulher, com quem se casara por interesse. Esconde seu passado humilde a qualquer preço. Seu universo está centralizado no apartamento e na metalúrgica que dirige. Morador da cobertura:
a mulher MAFALDA (Maria Fernanda), de família tradicional paulista, nasceu e cresceu no palacete derrubado para a construção do Edifício Paraíso. Pedante, soberba e obcecada por dinheiro, despreza a mistura de classes, por isso evita se relacionar com os vizinhos. Controla os passos do marido
a filha ESTELA (Lídia Brondi), adolescente que não compartilha os mesmos princípios e ideias dos pais. Luta para se impor diante do mundo tradicional da mãe e da alienação do pai. É sequestrada no decorrer da trama
a empregada ARLETE (Heloísa Raso)
a mãe OLÍMPIA (Lourdes Mayer), mantida em um pensionato para idosos. Representa um passado que ele não deseja revelar. Por isso, apesar dos apelos, nunca foi apresentada à nora e à neta
a acompanhante de Olímpia, MARIA (Pepa Ruiz).
- núcleo de MARTA (Glória Menezes), ex-freira, viúva, tem um filho pequeno, deficiente intelectual. Enfrenta o preconceito e a intolerância dos moradores, que, importunados pelos gritos do menino durante a noite, desejam expulsá-lo do edifício. O sofrimento e a ausência de vaidade fazem com que aparente mais idade do que tem. Apesar de tudo, é uma mulher forte, que incomoda as pessoas com sua franqueza. Moradora do apartamento 104:
o filho PAULINHO (Marcos Andreas Harder), criança de 11 anos, deficiente intelectual. Doente, não se locomove, nem fala, e tem pouco tempo de vida. Sofre de crises em que grita durante a noite
o marido falecido HENRIQUE (Otávio Augusto, participação), aparece em flashbacks . Foi funcionário do Ministério da Agricultura. Quando morreu, deixou uma pequena herança para a família, com a qual Marta comprou o apartamento.
- núcleo do professor GILBERTO (Walmor Chagas), antropólogo, escreve uma tese sobre a cidade de São Paulo e seus aspectos humanos. Homem comunicativo e compreensivo, sempre atento aos direitos da comunidade. Por causa dessas características, funciona como uma espécie de cérebro do Edifício Paraíso. Morador do apartamento 901:
a mulher LÚCIA (Isabel Ribeiro), pintora, culta, mas uma mulher simples. Principal admiradora do marido, não suporta o preconceito e a intolerância que norteiam alguns moradores do Edifício Paraíso. Está sempre procurando manter o equilíbrio familiar
os filhos: MARINA (Françoise Forton), estudante de Comunicação, herdou dos pais o senso de justiça. Não tolera qualquer ameaça ao direito do outro. Defensora da posição atuante da mulher no mundo contemporâneo,
GUILHERME (Guto Franco), namoradinho de Estela. Adolescente inteligente, deseja ingressar na faculdade de Física,
e BENTO (Ricardo Garcia), menino esperto e muito crítico, seu sonho é apostar uma corrida de bicicletas no Minhocão, que fica em frente ao Edifício Paraíso.
- núcleo de OTÁVIO (Edson França), homem preconceituoso e intolerante, funcionário aposentado de uma empresa estatal. Reserva dois quartos de seu apartamento para os diversos cachorros que cria. Síndico do Edifício Paraíso, controla a vida de todos os moradores. Sente-se humilhado pela superioridade de Edgard e incomodado pela inferioridade de alguns proprietários e inquilinos. Morador do apartamento 902:
a mulher DOROTÉIA (Regina Viana), bonita e sensual, compensa suas frustrações do casamento em visitas infindáveis a salões de beleza. Nutre uma paixão secreta por um vizinho mais jovem e bonitão
a empregada JACIRA (Maria das Graças), um tanto insolente, desafia as regras impostas pelo síndico, pois sabe que a patroa não pode dispensar seus serviços.
- núcleo de AGENOR (Rubens de Falco), bancário, tenta esconder de todos, inclusive dos pais, a sua homossexualidade. Leva uma vida dupla. Durante o dia, é discreto, formal, sisudo e introspectivo. À noite, veste-se de mulher para, escondido dos vizinhos, sair do prédio e perambular pelos bares do centro de São Paulo, divertindo-se com a observação do comportamento alheio. Morador do apartamento 801:
os pais: SEBASTIÃO (Castro Gonzaga), fazendeiro aposentado, vive da nostalgia do campo, que abandonou por causa do filho. Homem simples, passa os dias sentado no saguão do edifício procurando se relacionar com os vizinhos, que passam sem lhe dar atenção,
e BRANCA (Ida Gomes), mulher resiliente e religiosa, preocupa-se com a felicidade do filho, que acredita ser a sua cruz.
- núcleo de ORLANDO (Marcos Paulo), médico recém-formado, trabalha no posto de saúde em um bairro carente na periferia. Competente, tem plena consciência de sua responsabilidade social. Mulherengo, mantém romances passageiros com vizinhas do Edifício Paraíso, sem nunca assumir um compromisso. Alvo do desejo de Dorotéia. Morador do apartamento 702:
o amigo ROGÉRIO (João Paulo Adour), com quem divide o apartamento. Namorado de Marina, veio do interior para estudar em São Paulo. Recém-formado em Arquitetura, trabalha em uma grande empresa. Adaptado à vida na cidade grande, incomoda-se apenas com a poluição sonora e a poluição visual.
- núcleo de DÉBORA (Tereza Rachel / Miriam Ficher em flashbacks ), atriz decadente, mulher fútil e vaidosa. Sofre com a solidão e a insegurança. Apesar de manter sua beleza, não suporta a ideia de envelhecer, por isso recusa- se a revelar sua idade. Nutre um amor platônico por Gilberto. Moradora do apartamento 802:
a amiga ALBERTINA (Ruth de Souza), antiga empregada de sua casa, herdou uma pequena fortuna com a morte do patrão. Prevendo a decadência da atriz, que sempre esbanjou seu dinheiro, comprou o apartamento em que vivem. Espécie de dama de companhia de Débora, protege-a como se fosse uma filha, mas, para outros, é apenas sua empregada de confiança. Deixa que os vizinhos pensem que a atriz é a dona do imóvel
o pai falecido DAVI (Francisco Dantas, participação), aparece em suas recordações.
- núcleo de DONA CARMEM (Yara Cortes), viúva, mulher severa e desagradável. Sem papas na língua, intromete-se na vida dos vizinhos, com quem discute frequentemente. Divide o apartamento com a família do filho, mas faz questão de deixar claro que a está hospedando. Desconfiada, mantém os armários de casa trancados e chega a colocar cadeado na geladeira. Moradora do apartamento 701:
o filho MÁRIO (Roberto Pirilo), formado em Contabilidade, trabalha como subgerente em uma agência bancária. Esforça-se para sustentar a mulher e os filhos pequenos. Não desafia a pressão materna, mas sonha em morar com a família em um apartamento próprio
a nora LAÍS (Suely Franco), mulher de Mário, vive uma crise em seu casamento, resultado da opressão que a sogra exerce sobre a família. Luta para salvar o casamento e o marido, dominado pela mãe, mas tem consciência de que isso só será possível quando se afastarem
a empregada NAIR (Jacyra Silva), perseguida e vigiada pela patroa, que desconfia de sua idoneidade.
- núcleo de PILAR (Elizabeth Savala), jovem bonita e ambiciosa, estudante de Medicina. Filha do zelador do Edifício Paraíso, mora no apartamento 1, no térreo. Sonha ser rica e, para isso, tenta seduzir Edgard, proprietário do prédio. Acaba envolvendo-se com o investigador Sérgio:
os pais: FRANCISCO (Sebastião Vasconcelos), zelador do Edifício Paraíso, veio do Rio Grande do Norte para trabalhar na construção do prédio. Exigente com os empregados, mantém a ordem no edifício como se fosse o dono do imóvel,
e SOCORRO (Eloísa Mafalda), mulher simplória e religiosa. Vive amargurada pois sonha voltar para o Nordeste. Preocupa-se com a beleza da filha, que incomoda as moradoras.
- núcleo de LÁZARA (Chica Xavier), cozinheira de Edgard e Mafalda, mora no apartamento 2, no térreo. Preocupada com a educação do filho. Sua maior alegria é ter saído da favela:
o filho JAIRO (Cosme dos Santos), rapaz inteligente, vende flores nas ruas para ajudar no orçamento doméstico, mas esconde da mãe a maioria do dinheiro que recebe. Reclama que preferia ter ficado na favela, onde estão seus amigos.
- núcleo de OSVALDO (Flávio Migliaccio), porteiro e faxineiro do Edifício Paraíso, costuma esconder de Francisco os deslizes inocentes de alguns moradores. Mora na periferia:
a mulher CLEONICE (Carmem Alvarez), vive com o medo permanente de ser assaltada.
- demais personagens:
KÁTIA (Yoná Magalhães), moradora do apartamento 101. Desquitada, bonita, vaidosa e liberada, desperta os comentários maldosos dos vizinhos, que não aprovam seu comportamento. É sobrevivente do incêndio que destruiu o Edifício Joelma, no Centro de São Paulo, em fevereiro de 1974. As lembranças da tragédia ainda a atormentam. Trabalha em uma grande loja como secretária executiva. Sente-se atraída por Agenor
MIDORI (Midori Tange), moradora do apartamento 102. Veio do Japão ainda criança acompanhando os pais, que trabalham como agricultores no interior de São Paulo. A busca por melhores oportunidades a levou para a capital. Trabalhando como aeromoça, revende pérolas e objetos que traz do Japão para os vizinhos. Na verdade, faz contrabando
CORRÊA (Tonico Pereira), tipo misterioso que visita Midori com frequência. Ao longo da trama, revela-se que é chefe de uma quadrilha de contrabandistas.


