
Ficha técnica
Sinopse de Os Ossos do Barão
A história completa da novela de 1973.
Egisto Ghirotto, descendente de italianos, foi criado como empregado na fazenda do Barão de Jaraguá. Acabou enriquecendo com a Revolução Industrial de São Paulo, enquanto os tradicionais paulistas quatrocentões trilharam o caminho oposto, com a decadência do comércio cafeeiro.
Hoje, o velho Antenor, filho do barão, vive das lembranças do passado e ainda se julga dono das riquezas do pai. Acontece que sua família está falida. Enquanto os mais conservadores vivem de aparências, os demais tentam se ajustar à nova realidade, o que gera conflitos, sobretudo entre pais e filhos.
Ninguém estava feliz: os quatrocentões da família do barão, por terem caído em desgraça, e Egisto Ghirotto, por não possuir o prestígio de um título de nobreza. Só que este pode se gabar de ter tudo o que pertenceu ao Barão de Jaraguá. Inclusive os ossos, depois de comprar sua cripta mortuária.
O sonho do título de nobreza de Egisto só pode se realizar com o casamento de seu filho, Martino, indiferente às vontades do pai, com a bisneta do barão, Isabel, moça moderna e determinada. Egisto se lança nessa conquista, mirando a aliança entre a aristocracia rural decadente e a imigração enriquecida pela indústria.
- núcleo de EGISTO GHIROTTO (Lima Duarte), filho de italianos, chegou ainda criança para trabalhar na fazenda do Barão de Jaraguá, uma das mais tradicionais do ciclo cafeeiro paulista. Com tino para negócios, foi enriquecendo com a industrialização de São Paulo, à medida que a família do patrão ia à bancarrota. Adquiriu todos os bens do barão, até seus ossos, mantidos em uma câmara mortuária na fazenda. Para coroar sua ascensão social, falta-lhe apenas o título de nobreza, que lhe trará prestígio. Só conseguirá se unir em casamento o filho à bisneta de seu antigo patrão:
a mulher BIANCA (Lélia Abramo), religiosa, analfabeta, mas sagaz nos negócios. A riqueza não alterou sua simplicidade
o filho MARTINO (José Wilker), só não difere do pai na capacidade de trabalho. Herdou da mãe a indiferença pelas futilidades sociais. Moderno, frio e distante, cultiva a boa aparência para fugir da condição de filho de colono, embora não se envergonhe do passado humilde do pai
a agregada ELISA (Ruth de Souza), filha de uma escrava. Ao longo da trama, descobre-se que era neta bastarda do Barão de Jaraguá e Egisto sabia disso
a secretária LAURA (Tamara Taxman), que tem um caso com Martino
o motorista MISAEL (Antônio Pitanga)
a empregada DORALICE (Jacyra Silva).
- núcleo de CARLINO (Paulo Gonçalves), amigo de juventude de Egisto. Eficiente, honesto e trabalhador, lidera o parque têxtil de Egisto, a quem respeita e estima. Tem alto padrão de vida, mas não gosta de aparecer:
a mulher ROSA (Rachel Martins), nasceu na Itália, mas passou metade da vida no Brasil. Tem em Bianca uma de suas poucas amigas. Apegada às tradições e ao passado
o filho LUIGI (José Augusto Branco), amigo de Martino. Forte e ágil, mas inconformado com o preconceito social. Faz uma viagem à Europa.
- núcleo de ANTENOR CAMARGO PARENTE DE RENDON POMPEO E TAQUES (Paulo Gracindo), aristocrata rural decadente, filho do Barão de Jaraguá. Velhinho esperto, malicioso e impertinente. Vive no mundo do falecido pai. Incapaz de aceitar a nova realidade da família decadente, insiste em se comportar como se ainda fosse um nobre, com todos os preconceitos de classe e de cor herdados dos seus antepassados:
a mulher AMÉLIA , a MELICA (Carmem Silva), relegada ao lar, fruto da educação que recebeu. Mandada a vida inteira, manda atabalhoadamente na velhice. O casal tem três filhos: Miguel, Maria Clara e Vicente
a irmã mais nova, ISMÁLIA (Elza Gomes), filha caçula do Barão de Jaraguá, a mais independente. É quem primeiro descobre que a fazenda Jaraguá está nas mãos de um antigo colono imigrante. Defende a união de quatrocentões e emergentes
as primas CLÉLIA (Suzy Kirbi) e LUCRÉCIA (Henriqueta Brieba), representam a nobiliarquia paulistana, repetindo, como um coro, os feitos dos antepassados. Levam o amor e o respeito às tradições às últimas consequências
a empregada MARLENE (Léa Garcia).
- núcleo de MIGUEL (Leonardo Villar), filho mais velho de Antenor e Melica. Apesar de refinado, não tem nada em comum com os grã-finos. Ter dinheiro é importante, mas não fundamental. Sente-se seguro com seu nome e suas tradições:
a mulher VERÔNICA (Maria Luiza Castelli), silenciosamente magoada com a vida. Esperava que o casamento não quebrasse uma tradição familiar, mas não conseguiu manter a representação social para a qual se preparara,
os filhos ISABEL (Dina Sfat), bonita, equilibrada e justa, não aceita certos valores do passado. Quer ser ela mesma uma pessoa e não uma descendente de família ilustre. Apaixona-se por Martino, para o desespero de Antenor, que não quer a mistura de classes, pois os Ghirotto, apesar de ricos, não tem nome e tradição. A união entre aristocratas e imigrantes é mal vista, entretanto é uma forma de recuperar as posses da família e a posição social perdida,
e RICARDO (João Carlos Barroso), enfrenta os problemas comuns a um adolescente de seu tempo. Distante do pai, não entende seus valores
o ex-noivo de Isabel, RUBENS (Jorge Botelho), preterido por Martino.
- núcleo de MARIA CLARA (Neuza Amaral), segunda filha de Antenor e Melica. Viúva, paciente e maternal, criou e educou as filhas costurando e fazendo tricô e crochê para fora. Miguel e Antenor julgam-se os donos de sua casa. Percebe que essa interferência prejudicará o futuro das filhas e reage de forma inesperada:
as filhas LOURDES (Renata Sorrah), a mais velha e mais parecida com a mãe, aceitando com submissão os valores da família. Áspera e ressentida, no fundo também é preconceituosa. Apaixonada por Luigi, a viagem dele para a Europa a leva a trancar-se em casa, mergulhada no trabalho,
e ZILDA (Sandra Bréa), a caçula, bem diferente da mãe e da irmã. Destituída de preconceitos, disposta a enfrentar o avô, o tio ou qualquer um que ameace sua concepção de vida.
- núcleo de e VICENTE (Edney Giovenazzi), o caçula de Antenor e Melica. Jornalista, dramaturgo, preocupado com os problemas do homem brasileiro, dentro de uma visão humanista e progressista, não importando a cor, credo ou condição social. Angustiado por não ter se realizado como dramaturgo:
a mulher LAVÍNIA (Bibi Vogel), intelectual, ama apaixonadamente o marido, fazendo tudo por sua realização. Luta para tirá-lo do mundo decadente, para que ele se realize no teatro, como dramaturgo.
- núcleo de OMAR (Gracindo Jr.), corroído pelo preconceito contra sua própria raça, a negra. Vive um romance com Zilda prejudicado pelo preconceito, enfrentando uma série de obstáculos. É constantemente humilhado por Antenor por ser filho de uma ex-escrava da fazenda de seu pai:
a mãe SENHORINHA (Chica Xavier), ex-escrava da fazenda do Barão de Jaraguá
o pai SEBASTIÃO (Antônio Petrin), um bandido.


