
Ficha técnica
Sinopse de Roque Santeiro
A história completa da novela de 1985.
"Trair o amante com o marido de quem foi viúva sem nunca ter sido." A frase resume o espírito de uma das maiores novelas da televisão brasileira. Há dezessete anos, na pequena Asa Branca, no sertão nordestino, o coroinha Roque Santeiro — apelido que ganhou pelo talento de esculpir imagens de santos — morreu como herói, pouco depois de um casamento misterioso com a desconhecida Porcina, ao defender a cidade do temido bandido Navalhada. Tempos depois, uma menina doente teve uma visão do rapaz e se curou. A partir daí, o povo o santificou, passou a lhe atribuir milagres, e a lenda de Roque Santeiro fez a cidade prosperar à sombra de seu heroísmo.
Só que Roque nunca morreu — e volta para Asa Branca disposto a colocar a própria história em pratos limpos e desfazer o mito. Seu retorno tira o sono do padre Hipólito e ameaça os que exploram o falso milagre: o prefeito Florindo Abelha, o comerciante Zé das Medalhas e o fazendeiro Sinhozinho Malta, que vê em risco seu romance com a Viúva Porcina. Afinal, ela jamais foi casada com Roque — sempre viveu sustentando uma mentira inventada por Sinhozinho para alimentar o mito e dele tirar vantagens políticas e financeiras.
De volta à cidade, Roque bagunça de vez a relação entre Sinhozinho e Porcina, que se apaixona pelo suposto "falecido marido". Ao mesmo tempo, reacende o amor de Mocinha, a verdadeira noiva que nunca aceitou seu sumiço e se manteve casta à espera dele, mesmo acreditando-o morto. Filha do prefeito Abelha e da beata Dona Pombinha, Mocinha ainda é cortejada pelo professor Astromar Junqueira, homem de discursos arrastados e ar sombrio que muitos juram ser o lobisomem da região.
A pacata Asa Branca ferve com a chegada de Matilde, amiga carioca de Sinhozinho Malta, que abre a Pousada do Sossego e traz consigo duas "meninas", Ninon e Rosaly, para trabalhar na boate que pretende inaugurar, a Sexus — enfrentando a oposição ferrenha do padre Hipólito e das beatas lideradas por Dona Pombinha, que fazem de tudo para afundar o negócio. Como se não bastasse, desembarca também a equipe do cineasta Gerson do Valle, decidido a filmar a saga de Roque Santeiro.
No elenco do filme brilham Linda Bastos, paixão do diretor, e o galã mulherengo Roberto Mathias, que seduz, entre outras, a Viúva Porcina e Tânia, a rebelde filha de Sinhozinho Malta. Desconfiada do pai, Tânia exige a reabertura do inquérito sobre a morte misteriosa da mãe — para o desespero de Sinhozinho. Também se rende ao charme de Roberto a reprimida Lulu, esposa de Zé das Medalhas e conhecida por toda a cidade como a menina que, um dia, teria sido curada pelo próprio Roque Santeiro.
- núcleo de LUÍS ROQUE DUARTE (José Wilker), conhecido como ROQUE SANTEIRO por sua habilidade em esculpir santos. Há dezessete anos, o coroinha tornou-se mártir ao morrer defendendo a cidadezinha de Asa Branca de um temível bandido que levou embora o bem mais precioso do local: o ostensório de ouro da igreja matriz. Tempos depois, uma menina doente teria tido uma visão de Roque e se curado. Em cima dessa lenda, construiu-se o mito de que Roque é um santo milagreiro, alimentado pelos poderosos da região para valorizar a cidade e tirar vantagens comerciais e políticas. Porém, Roque estava vivo. Foi ele quem roubou o ostensório da igreja e fugiu da cidade. Dezessete anos depois, rico e morando no exterior, Roque retorna a Asa Branca disposto a passar a limpo sua vida, devolver o ostensório, revelar a verdade e desfazer o mito:
o pai BEATO SALÚ (Nelson Dantas), ex-vaqueiro que, após a suposta morte do filho e de seu milagre, torna-se um pregador lunático que acredita e defende a santidade de Roque. Foi morar em uma palafita à margem do rio onde acontecera o primeiro milagre de Roque Santeiro
o irmão, por parte de pai, JOÃO LIGEIRO (Maurício Mattar), que mal conhece. Jovem montador, famoso na região pela habilidade nas corridas e em domar cavalos bravios. Cheio de dúvidas existenciais
a secretária NININHA (Edyr de Castro).
- núcleo de SINHOZINHO MALTA (Lima Duarte), o todo-poderoso e manda-chuva de Asa Branca, austero, prepotente e autoritário. Rico fazendeiro, é um dos maiores criadores de gado do país, exportador, dono de abatedouros e frigoríficos. O principal interessado em manter o mito de Roque Santeiro, sobre o qual inventou a história de que ele morreu logo depois de ter se casado com uma desconhecida - na realidade, a amante de Sinhozinho. Torna-se o principal antagonista de Roque quando ele retorna:
a mulher falecida MARGARIDA (Lílian Lemmertz, participação), morta com um tiro em circunstâncias mal esclarecidas. Aparece em flashbacks
a filha TÂNIA (Lídia Brondi), moça contestadora e rebelde, tem uma relação conflituosa com o pai porque desconfia de que ele foi responsável pela morte de sua mãe
a sogra DONA MARCELINA (Wanda Kosmo), mãe de Margarida. Mulher desconfiada. Critica e acusa o genro. Os dois não se suportam e vivem às turras
o capanga TERÊNCIO (Waldir Santanna), seu pau-mandado
a filha de Terêncio, DONDINHA (Cristina Galvão), moça simplória criada na fazenda. Apaixonada desde sempre por João Ligeiro, que também trabalha na fazenda. Sofre porque sente que o namorado não se interessa por ela
o amigo DEPUTADO FERREIRA DE JESUS (José de Freitas), representante de Asa Branca no Congresso Nacional
a secretária NOÊMIA (Ana Luiza Folly)
a empregada BENEDITA (Vanda Alves).
- núcleo da VIÚVA PORCINA (Regina Duarte), designada por Sinhozinho Malta como a viúva de Roque Santeiro, para desviar a atenção do caso amoroso que os dois mantinham enquanto ele era casado. Incentivada por Sinhozinho, Porcina – que sequer conhecia Roque – espalhou a mentira de que havia se casado com o santeiro, o que a transformou em um verdadeiro patrimônio da cidade. Mulher esfuziante, temperamental, voluntariosa, desbocada, vaidosa e fogosa. Vive em conflito com Tânia e Dona Marcelina, que não a aceitam como nova mulher de Sinhozinho. Apesar de amá-lo, não é fiel. Com o retorno de Roque, os dois acabam tendo um envolvimento, o que abala sua relação com Sinhozinho e provoca ainda mais a ira dele contra Roque:
a empregada MINA (Ilva Niño), a quem trata como um misto de amiga e mãe, apesar de autoritária com ela. A empregada, por sua vez, é extremamente fiel e dedicada à patroa, cúmplice em suas confusões com Sinhozinho
o capataz RODÉSIO (Tony Tornado), seu homem de confiança e protetor, realiza todos os seus desejos. No fundo, nutre uma paixão platônica pela patroa
a tia SINHÁ (Valdina Alves), velha rendeira que mora consigo, acabou "esquecida" na despensa da casa.
- núcleo de FLORINDO ABELHA (Ary Fontoura), prefeito de Asa Branca e dono da barbearia Salão Império, de onde despacha. Capacho de Sinhozinho Malta, é outro dos poucos que conhecem a verdade sobre Roque Santeiro. Tenta manter a autoridade, dentro e fora de sua casa, sem muito sucesso:
a mulher DONA POMBINHA (Eloísa Mafalda), beata das mais fervorosas, guardadora da moral e bons costumes de Asa Branca, líder das carolas da igreja e grande defensora da santidade de Roque Santeiro. Manda e desmanda no marido
a filha MOCINHA (Lucinha Lins), verdadeira noiva de Roque que nunca aceitou a ideia de que ele havia se casado com Porcina. Por isso as duas vivem em pé de guerra. Nunca recuperou-se da - suposta - morte do noivo e de vez em quando sofre de surtos, em que se veste de noiva. Solteirona convicta, ainda virgem, alimenta o amor pelo falecido, mesmo pensando que ele está morto, e resiste à ideia de outro envolvimento amoroso
o PROFESSOR ASTROMAR JUNQUEIRA (Ruy Rezende), figura misteriosa e soturna. Um brilhante orador, chefia o Centro Cívico de Asa Branca e está presente em todas as solenidades do município com seus discursos verborrágicos. Corre a lenda de que ele se transforma em lobisomem à meia-noite de quintas para sextas-feiras de lua cheia. É apaixonado por Mocinha, com quem sonha se casar, apesar de ela apenas enxergá-lo como um amigo
a empregada MARIA (Ângela Tornatore)
a secretária da prefeitura DONA EMILINHA (Emily Pirmez)
os funcionários do Salão Império: a manicure NENÉM (Edwiges Gama), o barbeiro SEU DEVAGAR (Manoel Teodoro) e o engraxate CORRÓ (Treme-Treme).
- núcleo de ZÉ DAS MEDALHAS (Armando Bógus), homem ganancioso. Dono de uma indústria de medalhinhas de santo, é o principal comerciante de Asa Branca, dominando as vendas de suvenires em torno do mito de Roque Santeiro. Logo, um dos maiores interessados em manter este mito. Aliado de Sinhozinho Malta e do prefeito, sonha ampliar seu negócio. Em casa, é autoritário com a mulher:
a mulher LULU (Cássia Kiss), sobre a qual corre a lenda de que, quando era criança e estava doente, curou-se após ter tido uma visão de Roque Santeiro - na verdade, outra farsa sustentada para alimentar o mito. Hoje, é uma mulher reprimida e dominada pelo marido machista e violento, que a tranca no quarto quando fica nervoso. Tenta livrar-se das amarras que a prendem ao marido e ao mito de Roque Santeiro
os filhos pequenos TININHA (Gabriela Bicalho) e RAUL (Bruno Andrade)
a empregada e babá dos filhos, CIANA (Lícia Magna)
a vendedora na loja NEVINHA (Célia Cruz).
- núcleo de MATILDE (Yoná Magalhães), amiga de Sinhozinho Malta do Rio de Janeiro. Muda-se para Asa Branca abrindo dois negócios: aluga da igreja um convento desativado que transforma na Pousada do Sossego; e a boate Sexus, em que, além de oferecer bebida e jogo, apresenta shows com dançarinas. Com a boate, compra uma briga feia com o vigário e as beatas da cidade, lideradas por Dona Pombinha, que fazem de tudo para sabotar o lugar. Protegida por Sinhozinho Malta, consegue levar adiante o seu empreendimento:
as dançarinas, jovens, belas, sedutoras e provocantes: ROSALY (Ísis de Oliveira), que sonha em se casar com algum coronel ou fazendeiro rico,
e NINON (Cláudia Raia), que se encanta com a história do lobisomem, com quem tem sonhos eróticos
a amiga AMPARITO HERNANDEZ (Nélia Paula), antiga vedete de sucesso, de origem portenha (na verdade é mineira), hoje decadente. Chega a Asa Branca para ajudá-la nas coreografias dos shows da Sexus. No passado, tivera um caso com Florindo Abelha
o antigo amor RONALDO CÉSAR (Othon Bastos), um sedutor mau-caráter, viciado em jogo e metido com bandidos no Rio de Janeiro. Chega a Asa Branca com a intenção de envolvê-la novamente e extorquir-lhe mais dinheiro, convencendo-a a abrir um cassino nos fundos da boate
os funcionários da Pousada do Sossego: o recepcionista DECEMBRINO (Luís Magnelli), sujeito sossegado. Nascido em janeiro, mas como o nome já estava escolhido, ficou esse mesmo,
e o barman JUCA (Manoel Eliziário).
- núcleo de GERSON DO VALLE (Ewerton de Castro), cineasta que vem a Asa Branca para filmar a saga de Roque Santeiro, porém encontra uma série de dificuldades para terminar seu filme. Um tipo ansioso, gago e mandão, é apaixonado pela estrela do filme, mas ela é casada:
o galã ROBERTO MATHIAS (Fábio Jr.), ator mais conhecido por suas conquistas amorosas. Interpreta Roque no filme. Cínico, debochado e aventureiro, mas um bom profissional. Envolve-se com Porcina, Tânia e Lulu, entre outras mulheres
a estrela LINDA BASTOS (Patrícia Pillar), vive a Viúva Porcina no filme. Bela e promissora atriz. Casada, é assediada pelo diretor, apaixonado por ela. Aos poucos, cede às suas investidas
o marido de Linda, TITO MOREIRA FRANÇA (Luiz Armando de Queiroz), que a acompanha nas gravações. Ciumento, vive de olho em Gerson e Roberto Mathias, com os quais implica. Decide investir em uma fábrica de velas em Asa Branca
a mulher de Roberto Mathias, MARILDA (Elizângela), com quem ele ainda está casado, apesar de não viverem juntos. Ela nega-lhe o divórcio. Chega a Asa Branca atrás dele, causando escândalos e confusão. Provocante e interesseira, envolve-se com Sinhozinho Malta
a equipe do filme: o produtor MARCOS TOMAZZINI (Denis Carvalho, participação), que, ante as dificuldades, desentende-se com Gerson e desiste do filme,
o diretor de produção LUISÃO (Alexandre Frota), tem uma queda por Matilde,
a continuísta CARLA (Cláudia Costa), ama platonicamente Gerson,
o cinegrafista HELINHO (Silvio Pozatto),
a maquiadora ANINHA (Juliana Reis), namorada de Helinho,
o contrarregra GERALDÃO (Edilásio Júnior) e a camareira ADELAIDE (Adelaide Palette)
outros atores do filme: SELMA SOTERO (Ângela Figueiredo, participação), interpreta Mocinha, mais tarde é substituída por outra atriz, ÂNGELA FLORES (Dedina Bernadelli, participação),
DAVID LEROY como Sinhozinho Malta, FERNANDO AMARAL como o Padre Hipólito,
e IVAN SETTA , escalado para viver Navalhada, foi substituído pelo delegado de Asa Branca e ficou com outro papel: Florindo Abelha.
- núcleo da Rua da Lama, bordel em Vila Miséria, o bairro mais pobre de Asa Branca:
a cafetina EFIGÊNIA (Regina Dourado), torna-se amiga de Roque e ele lhe confia um dossiê em que relata toda a sua história, a ser revelado caso aconteça alguma coisa com ele
a irmã de Efigênia, ODETE (Ângela Leal), foi empregada na casa de Sinhozinho Malta e muito próxima de Margarida, mulher dele. Testemunhou o caso do patrão com Porcina e sabe que Margarida se matou. Foi paga por Sinhozinho para ficar calada e mudar-se de Asa Branca. Retorna disposta a arrancar mais dinheiro de Sinhozinho e acaba assassinada
a prostituta IDALVINA , conhecida como MARIA IGARAPÉ (Leina Krespi), desconfia da amizade entre Efigênia e Roque. Ao descobrir o dossiê, entrega o seu paradeiro a Sinhozinho Malta em troca de dinheiro, traindo a confiança de Efigênia.
- demais personagens:
o PADRE HIPÓLITO (Paulo Gracindo), religioso extremamente conservador, um tanto ranzinza e intransigente na defesa de rígidos padrões de comportamento. Dogmático, opõe-se à corrente renovadora da Igreja. Apesar de manter segredo sobre o fato de Roque Santeiro estar vivo, não concorda com os métodos de Sinhozinho Malta, Florindo Abelha e Zé das Medalhas
o PADRE ALBANO (Cláudio Cavalcanti), religioso progressista, chamado de “padre comunista” ou “padre vermelho”. Entra em atrito com o padre Hipólito, por divergências de ideias. Pároco da Vila Miséria, é um homem dedicado a ajudar sua paróquia. Descobre a farsa sobre Roque Santeiro - de quem fica amigo - e tenta, em vão, alertar a todos. Ao longo da trama, vive um amor proibido por Tânia, o que é contra os preceitos de sua religião
o bandido NAVALHADA (Oswaldo Loureiro), no passado, atacou Asa Branca, fez o padre Hipólito de refém e - supostamente - matou o jovem Roque Santeiro em confronto e fugiu com o ostensório de ouro da igreja. Acabou capturado e preso, mas o ostensório nunca foi recuperado. Depois de cumprir sua pena, retorna à cidade redimido, convertido e beato para expurgar os seus crimes e expulsar o diabo personificado em Roque
o DELEGADO FEIJÓ (Maurício do Valle), que sempre acaba acatando as ordens de Sinhozinho Malta. Sonha ser ator, por isso oferece-se para representar o bandido Navalhada no filme sobre Roque Santeiro e ganha o papel. Apaixona-se por Ninon e se fantasia de lobisomem apenas para conquistá-la
o guia turístico TONINHO JILÓ (João Carlos Barroso), esperto e malandro, é quem narra toda a história de Roque Santeiro a romeiros e turistas. Melhor amigo de João Ligeiro, tem uma queda por Dondinha
o CEGO JEREMIAS (Arnaud Rodrigues), violeiro que canta a saga de Roque Santeiro e vive de pedir esmolas na escadaria da igreja matriz. Conhece todos os moradores de Asa Branca pelo cheiro e por seus passos, quando se aproximam. Há sabedoria em sua esperteza
o menino TIQUINHO (Malik dos Santos), moleque que acompanha o Cego Jeremias
o mendigo SUA MAJESTADE (Sandro Solviatti), louco que perambula por Asa Branca soltando frases de efeito em defesa da monarquia
o cabo de polícia ZÉ COLMEIA (Ivan Simões), auxiliar do Delegado Feijó
o médico DR. CAZUZA (Lutero Luiz), alcoólatra, descobre que Roque Santeiro está vivo e acaba morto a mando de Sinhozinho Malta, afogado em um tonel de cachaça
o promotor público LOURIVAL PRATA (Milton Gonçalves), chega a Asa Branca - substituindo o anterior, que aposentou-se - para fiscalizar as investigações sobre a morte do Dr. Cazuza. Entra em atrito com Sinhozinho Malta.


