
Ficha técnica
Sinopse de Saramandaia
A história completa da novela de 1976.
Os moradores de Bole-Bole, na zona canavieira da Bahia, se mobilizam em torno de um plebiscito para trocar o nome da cidade por Saramandaia. Os coronéis da oposição, porém, recorrem a razões históricas para preservar o nome. De um lado, estão os Mudancistas, comandados pelo Coronel Tenório Tavares, pelo prefeito Lua Viana e por seu irmão João Gibão, envergonhados pela origem do nome, ligada a uma aventura local de D. Pedro I. De outro, os Tradicionalistas, liderados pelo Coronel Zico Rosado.
Enquanto a questão principal não se resolve, a cidade vira cenário dos maiores disparates: João Gibão, sob a aparência de uma corcunda, esconde de todos um par de asas; Zico Rosado solta formigas pelo nariz; Dona Redonda explode de tanto comer; Seu Cazuza ameaça cuspir o coração sempre que se emociona; a "fogosa" Marcina, ao se excitar, fica em brasa e queima tudo à sua volta; e o Professor Aristóbulo, além de não dormir há anos, vira lobisomem nas sextas-feiras de lua cheia.
Logo de início, durante uma discussão sobre a mudança do nome da cidade, Seu Cazuza fica tão vermelho que o coração lhe sobe à boca. Ele consegue engoli-lo de volta, mas todos o dão como morto - o povo acredita que ele não conseguiu engolir direito. Como era contrário à substituição do nome Bole-Bole, os tradicionalistas passam a tratá-lo como o primeiro mártir de sua causa, alegando que ele morreu de "indignação cardíaca". O defunto, contudo, ressuscita em pleno cortejo fúnebre.
Por trás da discussão sobre o nome da cidade há interesses políticos e econômicos. Tenório Tavares apoia a mudança porque pretende lançar no mercado a cachaça Saramandaia, marca que registrou antes mesmo do plebiscito. A bebida concorrerá com a cachaça Bole-Bole, fabricada por seu inimigo, Zico Rosado, defensor da manutenção do nome. A disputa, que se estende aos seguidores de ambos, reflete a rivalidade política entre os dois coronéis, que recorrem a meios lícitos e ilícitos para se manter no poder.
A contagem dos votos consagra o nome Saramandaia em uma disputa acirrada. Os tradicionalistas tentam barrar a mudança com um mandado de segurança para anular a votação, mas o resultado é confirmado. Como diversos episódios trágicos se sucedem - a explosão de Dona Redonda, uma seca sem fim e a morte do filho do prefeito -, o povo é levado a culpar a troca do nome pela má sorte, o que faz Zico Rosado explorar a fé popular para tentar que Saramandaia volte a se chamar Bole-Bole.
- núcleo de JOÃO GIBÃO (Juca de Oliveira), homem arredio, retraído, cobre-se com um gibão para esconder um defeito nas costas. De inteligência e sensibilidade agudas, possui dotes paranormais, como a premonição. Isso o angustia, pois não pode influir para modificar o rumo da vida. É vereador e autor do projeto para a troca do nome da cidade de Bole-Bole para Saramandaia. Mais tarde, descobre-se que o colete de couro encobre um par de asas:
o irmão LUA VIANA (Antônio Fagundes), bem-humorado, figura popular e benquista na cidade, onde é o atual prefeito, eleito acima das disputas partidárias e das lutas entre famílias. De forte personalidade, procura se manter independente politicamente, embora seja noivo da filha de um dos líderes "mudancistas", que querem mudar o nome da cidade
a mãe, DONA LEOCÁDIA (Lídia Costa), dedicada aos filhos, principalmente a Gibão, que a preocupa. É a única que sabe que João nasceu com asas e o ajuda a manter segredo.
- núcleo de MARCINA (Sônia Braga), não atenta a nada, seu mundo se resume ao noivo, João Gibão, e à fogueira que a consome e aumenta diante das recusas dele. O ardor crescente que deixa seu corpo em brasa a faz entrar em violentas crises. Não entende por que Gibão não a quer, se diz que a ama. E a coisa se agrava porque, além das crises, Marcina ainda se atreve a defender ideias mudancistas:
o pai, SEU CAZUZA (Rafael de Carvalho), dono da farmácia, onde se discute política e todos os acontecimentos do cotidiano. Tradicionalista exaltado, toda vez que se emociona o coração ameaça sair pela boca
a mãe MARIA APARADEIRA (Eloísa Mafalda), a parteira da cidade, já tendo auxiliado o nascimento de metade da população. Mulher de ação, muito ligada à igreja, com religiosidade que a coloca numa posição de liderança entre as beatas.
- núcleo do CORONEL ZICO ROSADO (Castro Gonzaga), descendente dos fundadores da cidade, vê a tentativa de mudar o nome de Bole-Bole como um desrespeito a seus antepassados. Dono da maior usina de açúcar da região, tem ainda a mentalidade dos antigos senhores de engenho, exigindo submissão e respeito às suas vontades. Como herança de família, mantém uma rixa com uma família rival, os Tavares. Solta formigas pelo nariz e, para aliviar a coceira, carrega um lenço vermelho no pescoço e o esfrega permanentemente no nariz:
a esposa SANTINHA (Ana Ariel), tem a postura de uma dama de engenho. Incapaz de desobedecer o marido, às vezes consegue dobrá-lo com um jeito especial e muita paciência
os filhos: TIMÓTEO (Reynaldo Gonzaga), seguiu a carreira do pai e é deputado,
e DALVA (Ana Maria Magalhães), há dez anos, tentou se libertar partindo para o Rio de Janeiro ao encontro de um amor. Decepcionou-se ao sabê-lo casado e ficou sozinha no Rio, ganhando a vida como podia. Depois de maus momentos, doente e cansada, voltou para sua cidade, sendo recebida com o apoio da mãe e a indiferença do pai
a neta DULCE (Tereza Cristina Arnaud), filha de outro filho, José Mário, já falecido, assassinado em um atentado ao lado da mulher. Marcada por esse trauma, Dulce procura libertar-se do passado e tem uma visão de mundo totalmente oposta a do avô
o afilhado CARLITO PRATA (Milton Moraes), homem da mais alta confiança do coronel, seu melhor amigo, servidor leal e sócio na exploração da cachaça Bole-Bole, produzida na usina. De caráter duvidoso, é envolvente, amoral e equilibra a violência do patrão com suas artimanhas. Foi o amor por quem Dalva partiu para o Rio de Janeiro
o capataz FIRMINO (Alciro Cunha), capaz de matar, se o mandarem, e de morrer para guardar um segredo
a empregada DAS DORES (Chica Xavier), fiel servidora.
- núcleo do CORONEL TENÓRIO TAVARES (Sebastião Vasconcelos), liberal conservador, de mentalidade menos estreita que a de Zico Rosado. Esforça-se para ser mais progressista, embora a formação de ambos seja basicamente a mesma. Detesta os Rosado tanto quanto é detestado por eles, em uma rixa com acusações mútuas de assassinato. Homem de vigor, participa ativamente da campanha pela mudança do nome da cidade, que envolve igualmente toda a família Tavares:
os filhos: ZÉLIA (Yoná Magalhães), formada em veterinária, aplica seu curso no cuidado dos animais da fazenda. É descontraída, impetuosa, e somente Lua Viana, seu noivo, consegue acalmá-la. De personalidade forte, é uma das líderes na campanha pela troca do nome de Bole-Bole, atividade que exerce com idealismo e paixão. Acabam casando e ela dá à luz uma criança com asas,
NATO (Jorge Gomes), um coronel em formação. Inteligência não muito brilhante, envolve-se plenamente com as atividades da usina, em uma preparação para a futura substituição de seu pai na administração da fazenda,
e DIRCEU (Pedro Paulo Rangel), o mais inteligente da família e também o mais suscetível. Sua extrema sensibilidade, introspecção e timidez chegam a deixar o pai em dúvida sobre sua masculinidade. Apaixona-se por Dulce
a avó CANDINHA (Maria do Carmo Veloso), senhora com quase 90 anos, surda e esclerosada. Fala sozinha, resmungando coisas incompreensíveis e enxotando galinhas imaginárias da casa.
- núcleo do PROFESSOR ARISTÓBULO CAMARGO (Ary Fontoura), sofre de insônia crônica, não dormindo há quase dez anos, o que o faz perambular à noite na cidade, à cata de um velório ou qualquer passatempo. É o primeiro filho nascido após uma série de seis irmãs, e sua palidez é mortal. É nisso que se alimenta a lenda de que ele se transforma em lobisomem nas noites de lua-cheia de quinta para sexta-feira:
a mãe DONA PUPU (Elza Gomes), senhora afável que guarda em casa a cabeça mumificada do marido morto, BELISÁRIO . Raramente sai de casa, desde que o marido foi torturado por remanescentes do bando do cangaceiro Corisco. Desde esse dia, teme um novo ataque, mesmo depois que os cangaceiros deixaram de existir.
- núcleo de RISOLETA (Dina Sfat), dona de uma das únicas hospedarias da cidade. Mulher audaciosa, não se atemoriza com as campanhas moralizadoras com que a ameaçam. Tem uma paixão mórbida pelo professor Aristóbulo, ansiando por vê-lo transformado em lobisomem. É mãe de Dulce, que desconhece o parentesco, pois foi levada ainda pequena para morar com Zico Rosado, que deu dinheiro a Risoleta para que ela deixasse a cidade:
o hóspede DR. ROCHINHA (José Augusto Branco), bebe para espantar a amargura de ter sido abandonado pela noiva, Dalva, às vésperas do casamento, e também por uma frustração profissional
as garçonetes DORA (Natália do Vale) e ROSALICE (Maria Rita), são do interior e, depois de um mau passo, foram expulsas de casa. Risoleta as amparou como se fossem sua filhas.
- núcleo de DONA REDONDA (Wilza Carla), uma mulher que engorda sem parar, desconhecendo os perigos da obesidade. A gordura não lhe dá qualquer preocupação, e se acha bastante charmosa. Seu apetite é descomunal, e nada a convence a reprimi-lo. Até que acaba explodindo de tanto comer:
o marido, SEU ENCOLHEU (Wellington Botelho), consegue fazer a previsão do tempo de acordo com a dor que sente nos ossos. Tem esse "poder" desde que certo boi zebu fraturou todos os seus ossos. É a principal fonte para o boletim meteorológico da cidade
a filha BIA (Marília Barbosa), ao contrário dos pais, é uma mudancista militante. Namora Nato, o que não conta com a aprovação dos pais, pois eles não acreditam nas boas intenções do rapaz
a irmã DONA BITELA (Wilza Carla), que chega à cidade após a morte de Dona Redonda. Muito parecida com ela, a diferença são os cabelos. Todos a confundem com a falecida.
- núcleo do MAESTRO CURSINO DE AZEVEDO (Brandão Filho), barbeiro e regente da Filarmônica Bolebolense, banda partidária dos tradicionalistas. É pai de seis filhas, o que o faz tremer diante da possibilidade de ter um filho homem que seja lobisomem. Por conta disso, passa os meses controlando a mulher e lhe implorando para se valer de métodos anticonceptivos:
a esposa DONA FIFI (Vanda Costa), extremamente religiosa, opõe-se ao menor pensamento de evitar os filhos destinados a vir ao mundo, o que a coloca em conflito com Cursino. O temor de ter um filho lobisomem é bem menor do que o temor a Deus.
- núcleo do MAESTRO TOTÓ DE ALMEIDA (Lajar Muzuris), regente da Lira Euterpiana, banda partidária dos mudancistas. Seu maior amigo e inimigo é o Maestro Cursino, seu sócio na barbearia da cidade, dividida em duas salas: Bole-Bole e Saramandaia:
a irmã BEATA MIÚDA (Auricéa de Araújo), dedica-se de corpo e alma à religião, sendo uma das beatas mais proeminentes da cidade, o que lhe vale, ao lado de Maria Aparadeira, a posição de líder nesse quesito.
- demais personagens:
DELEGADO PETRONÍLIO PEIXOTO (Carlos Gregório), exemplo de incorruptibilidade e eficiência profissional. Elegante, amável e delicado, trata os presos com extrema humanidade, atendendo a todas as reivindicações, deixando, inclusive, a porta da cadeia aberta - e jamais houve uma fuga. De princípios morais rígidos, sua religião não permite que fume, beba, vá a festas e ame
DISGRAMADO (Apolo Corrêa), preso folgado na delegacia de Petronílio
PADRE ROMEU (Francisco Dantas), velho vigário, dono de todos os segredos da cidade. Procura não tomar partido nas lutas políticas
MAESTRO RANULPHO (Zé Préa), amigo do Dr. Rochinha e do professor Aristóbulo
ZÉ VITORINO (Germano Filho), líder da Câmara dos Vereadores
EMÍLIA (Maria Helena Velasco), mulher de Carlito, vive no Rio de Janeiro, já no processo de separação do casal. Volta a procurar por ele por não se conformar com a pensão estipulada pelo juiz
HOMÃO (Carlos Eduardo Dolabella), homem misterioso, autoritário e temido, que chega repentinamente na cidade, demandando disciplina. Está sempre de capa e óculos escuros. Ninguém sabe o seu passado. Na verdade, trata-se de um golpista, procurado pela polícia do Rio de Janeiro
PERIVALDO , o HOMINHO (Augusto Olímpio), assistente e cúmplice de Homão.

